Você fala marinhês?


Giuliano Andretta
10/05/2017

Conheça termos e nomenclaturas técnicas importantes para todo candidato a pescador-navegador

Num país de dimensões continentais como o Brasil, não são só os peixes que recebem nomes conflitantes, é comum haver diferenças para definir objetos e procedimentos. Como na navegação qualquer engano pode comprometer a segurança, a Marinha estabeleceu regras próprias de nomenclatura. São termos técnicos que fazem parte até das provas para a habilitação de pilotagem das embarcações. Para facilitar a vida e a comunicação, assim como no mundo do trânsito, existe uma legislação que adota uma espécie de “cartilha”, regularizando termos técnicos relacionados à marinharia. A DPC (Diretoria de Portos e Costas) e a DHN (Diretoria de Hidrografia e Navegação) são os órgãos reguladores do assunto. Listarei, a seguir, alguns exemplos comuns do “marinhês” que, além de lhe agregarem conhecimentos técnicos, garantirão a você maior segurança em algumas situações de comunicação com outras embarcações.

 

AGULHA MAGNÉTICA: é a famosa bússola das embarcações. Consiste em uma ou várias hastes de ferro imantadas e dispostas por baixo de um círculo graduado de 0° a 360°, denominado Rosa Dos Ventos. Para compensar o balanço a bordo, elas são suspensas em meio líquido de forma a poder girar livremente. As indicações de direção têm como referência o norte magnético da Terra.

BOMBORDO/BORESTE: definem, respectivamente, os bordos esquerdo e direito de quem pilota o barco. O termo “estibordo” (antiga referência para boreste) não é mais usado, pela possibilidade de confusão numa comunicação via rádio.

ENCARNADA: as luzes de bordo e as boias de sinalização em entradas de canais navegáveis e portos são representadas pelas cores verde e vermelha. Porém, para evitar confusão na simbologia (“V” e “E”) e também devido ao engano nas comunicações via rádio, a cor vermelha não existe em marinharia, ela é chamada de “encarnada”.

CABO: o termo “corda” não é utilizado. Ela é denominada cabo, com nomenclaturas mais específicas em relação a suas funções, como veremos a seguir.

FERRO: é o termo técnico utilizado para objetos que possibilitam fundear uma embarcação, popularmente conhecidos como âncoras. Também é comum ouvirmos “poita”, mas, tecnicamente, poitas são grandes lastros (geralmente feitos de concreto) utilizados para fixar boias de atracação.

AMARRA:  é todo o cabo de âncora utilizado no fundeio. Deve ser de material não flutuante e pode contar com alguns metros de corrente próximo ao ferro.

FILAME: porção da amarra solta na água no momento do fundeio, que vai da proa até o anete do ferro. Quanto mais filame solto, melhor o ferro segura. É indicado soltar o filame com o comprimento mínimo de três vezes a profundidade do local, e, em condições adversas (ondas, ventos), com até oito vezes a profundidade.

 

ESPIAS: são cabos utilizados para amarrar uma embarcação ao cais. Existem diferentes tipos de espias, tais como: lançante, espringue e través.

FUNDEAR: é o ato de soltar o ferro. Para isso, devemos procurar um bom fundeadouro.

FUNDEADOURO: é o local onde mantemos a embarcação ancorada. Para um bom fundeadouro, devemos analisar alguns itens, como: saber a profundidade adequada ao calado da embarcação; estar abrigado de ventos, correntes e marolas; escolher fundo de boa tensa (areia, lama, cascalho); e verificar a “lazeira” (folga suficiente) em relação a pedras ou outros barcos fundeados próximos.

ABALROAMENTOS: são acidentes e danos, tanto materiais quanto pessoais, que ocorrem entre embarcações. Para evitar abalroamentos, existe o RIPEAM – Regulamento Internacional para Evitar Abalroamento no Mar. Vale a pena conferir essas regras para sua segurança.

LINHA BASE: relacionada a limites de segurança de navegação, é a linha de arrebentação das ondas nas praias ou a linha da margem nos lagos e baías. A distância de tráfego da linha base depende do tipo de embarcação: 200 metros quando a motor e 100 metros para embarcações a vela ou remo.

RUMO: ângulo formado pelo Norte de referência e a proa da embarcação. Trata-se da direção horizontal da trajetória que fazemos sobre a superfície da água. A direção de referência se faz no sentido dos ponteiros de um relógio, de 0º a 360°. A linha de rumo é a representação gráfica do rumo da embarcação sobre uma carta náutica.

ABATIMENTO: é o efeito dos ventos ou correntes sobre uma embarcação, fazendo com que ela navegue fora do rumo planejado. É representado como a diferença angular entre o rumo planejado (rumo de superfície) e o rumo realmente seguido pela embarcação (rumo de fundo).

SINGRADURA: define a navegação no rumo planejado.

VENTO FRESCO: é o vento classificado como de “Força 5”, com velocidade entre 17 e 21 nós. Nessa ocasião, o mar fica cheio de “carneirinhos”, representando cautela para o navegador.

CICLONE: ventos que giram em redor dos centros de baixa pressão e são acompanhados de mau tempo. No Hemisfério Sul, têm sentido horário.

ANTICICLONE: ventos que giram em torno dos centros de alta pressão e estão ligados a bom tempo. Têm sentido anti-horário no Hemisfério Sul.

ÁREA ALFA: área de navegação entre Arroio Chuí (RS) e Cabo de Santa Marta (SC).

ÁREA BRAVO: área de navegação em mar aberto entre Cabo de Santa Marta (SC) e Cabo Frio (RJ).

ÁREA CHARLIE: área de navegação em região costeira entre Cabo de Santa Marta e Cabo Frio.

MARÉS DE SIZÍGEA: marés fortes que ocorrem nos períodos de luas cheia e nova, também chamadas de “Águas Vivas”. É quando ocorrem as maiores amplitudes (diferenças de cota entre alta e baixa).

MARÉS DE QUADRATURA: marés fracas que ocorrem nos períodos de luas de quarto crescente e minguante, também chamadas de “Águas Mortas”. É quando ocorrem as menores amplitudes

 

 

Fotos: Giuliano Andretta/Arquivo Revista Pesca Esportiva

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