Técnicas para badejos


César Pansera
06/09/2016

Com seus ataques fulminantes, o badejo é um dos mais prazerosos desafios da pesca em estuários com iscas artificiais de fundo. Veja como fisgá-lo com três diferentes técnicas, e lembre-se: ao fisgar um, jamais dê folga na linha ou você poderá perdê-lo!

Um dos primeiros badejos que capturei com isca artificial foi fisgado meio que por acaso. Pescava robalos com uma isca de barbela próximo a uma laje, recolhendo continuamente o plug. Uma parada repentina no recolhimento e um forte tranco na linha foi sentido, imediatamente seguido por violentos puxões no sentido contrário. Segurei firme e, instantes depois, um badejo-mira emergia. Constatava ali uma das marcas registradas desse peixe: a potência desproporcional de suas arrancadas. Passei, então, a dedicar-me cada vez mais às diferentes técnicas para capturá-lo. Além de emocionante, é uma pescaria cheia de surpresas, já que os mesmos ambientes frequentados por badejos são pontos de morada ou passagem de outras espécies. A fase do ano que se aproxima – final da primavera e praticamente todo o verão – é ideal para centrar o foco em busca dos valentes badejos.

 

Condições ideais

As regiões litorâneas com ocorrência de pedras no fundo são os grandes palcos para as batalhas com os badejos, principalmente o badejo-mira (Mycteroperca acutirostris), que pode chegar a dez quilos. Em regiões estuarinas e costeiras, um exemplar de quatro quilos já é considerado um grande troféu. Para pescá-los dentro de baías, é importante que a água esteja limpa, com alto grau de salinidade. Assim como suas “primas”, as garoupas, eles são capazes de migrar para áreas mais próximas da barra ou até mesmo para mar aberto quando a água suja, fato causado por chuvas constantes. Além desse importante fator, a temperatura ambiente também é relevante: os meses mais quentes do ano são os melhores para sua pesca.

Em dias eminentemente nublados, a atividade do peixe parece ser maior, a exemplo do que ocorre com outras espécies de água salgada e doce – aparentemente, a ausência de luz forte e direta colabora para desinibir os predadores. Há, também, o fator pressão atmosférica, que normalmente se mantém mais estável em dias assim, o que favorece a atividade alimentar dos peixes. Por fim, em dias nublados, a ação do vento é menor ou mesmo nula, ajudando bastante o andamento da pescaria.

 

“Crankeando”

No universo das iscas com incontestável apelo junto ao badejo, especialmente em pontos mais “abertos”, se destaca a classe de plugs que mais descem na modalidade de arremesso de iscas artificiais: as crankbaits, tanto os tradicionais modelos “gordinhos” como aqueles de perfil mais alongado. Seu ponto em comum são as longas barbelas, responsáveis por um afundamento rápido e uma vibração intensa durante todo o tempo em que são recolhidas. Como as “cranks” são recolhidas (tracionadas) quase o tempo todo, os ataques são certeiros: o peixe precisa abocanhar logo a suposta presa para não deixá-la escapar.

Entre os bons pontos para “rastelar” o fundo com uma crankbait estão as costeiras crivadas de pedras, os arredores de ilhas e as pedras isoladas que afloram no meio da baía. A profundidade não pode ser muito grande, algo de até cinco metros. Os diferentes tamanhos de barbela regulam a profundidade que as iscas atingirão. Quanto mais comprida, mais fundo a isca irá trabalhar, e quanto mais larga, maior resistência sofrerá quando tracionada. O recolhimento é contínuo, de modo que a isca vem se chocando nas pedras. A própria barbela protege, de certa forma, as garateias dos enroscos. O ideal é utilizar modelos que não excedam a profundidade local; caso o ponto tenha 3,5 metros, por exemplo, o indicado é utilizar iscas que cheguem até essa profundidade ou próximo dela, mas não a ultrapassem. A capacidade de afundamento costuma ser informada pelo fabricante na própria embalagem da isca.

 

Outras técnicas e iscas

>> Na vertical, com jumping jig

Neste caso, o barco fica posicionado sobre a laje, que está em maior profundidade. Um bom conhecimento da região e o uso de eletrônicos (sonda/GPS) são muito úteis para marcar o ponto. Basta descer a isca até o fundo e trabalhá-la com movimentos fortes e curtos de ponta de vara, fazendo o jig saltar no fundo, batendo nas pedras. Além dos badejos, inúmeras outras espécies podem atacar a isca quando pescamos desta forma. (FOTO JIG)

Uma medida bastante prática para marcar visualmente a posição do ponto quando não se dispõe de eletrônicos é usar uma garrafa pet, dessas de refrigerante, como marcador. Basta amarrar alguns metros de linha de náilon (de 0,50 mm) na garrafa e, na outra extremidade, uma chumbada (de 100 gramas). Um elástico ou tira de borracha servirá para travar a linha e mantê-la tensionada assim que o peso tocar o fundo. Para ajudar na visualização desta “boia caseira” sinalizadora, é só colocar uma sacola plástica branca dentro da garrafa.

>> Jig-head + soft bait

Nas áreas de pesca com fundo mais liso (não tão irregular), shads e camarões plásticos acoplados a jig-heads também são excelentes opções. Uma estrutura particularmente interessante para encontrar badejos são os píeres de atracação de embarcações. Os pilares cheios de cracas reúnem uma série de organismos em seu entorno, formando um ambiente muito atraente para o badejo, principalmente o mira. Para que os jig-heads atinjam o fundo mais rapidamente, deve-se arremessar em sentido contrário ao da maré. Alguns desses pontos podem pertencer a marinas particulares de uso restrito; por isso, é importante certificar-se de que é possível pescar nesses locais.

 

5 dicas importantes

  1. Uma boa maneira de identificar lajes maiores caso você não possua uma sonda é ter olhos e ouvidos sempre atentos. Com uma boa corrida de maré e a ausência de ventos, a superfície da água ficará marcada junto à laje. Também é possível ouvir mariscos e cracas “estalando” quando o barco está sobre o local.
  2. Procure deixar o freio de seu equipamento um pouco mais apertado que o usual. Não é necessário chegar ao ponto de travá-lo totalmente. A medida ajuda a impedir que o peixe busque refúgio entre as pedras nas primeiras corridas.
  3. Bastões “salva-iscas” podem ser utilizados na tentativa de desenroscar iscas presas em locais com menor profundidade e quando a maré corre pouco. Os modelos normalmente encontrados no mercado são de alumínio, compostos por seções de cerca de um metro e um tipo de mola na ponta.
  4. Substituir as garateias originais de certas iscas por outras mais fortes é bastante válido, mas igualmente importante é verificar a necessidade da troca de argolas (split-rings) e mesmo grampos (snaps), caso estes sejam muito finos.
  5. A dentição afiada dos badejos torna prudente manuseá-los com o auxílio de um alicate de contenção, e não com as mãos. Tome cuidado, também, com os espinhos de sua nadadeira dorsal, ou você poderá se machucar.

Equipamento recomendado

Varas: entre 6’ e 7’, classe 25 a 30 libras e ação moderada para as crankbaits; entre 5’3” e 6’, classe 20 libras e ação moderada para os jumping jigs; entre 6’3” e 7’, classe 20 a 25 libras e ação rápida para soft baits com jig-heads.

Carretilhas: com capacidade para 100 metros de linha de 0,30 mm e freio (fricção) de boa qualidade. Para a pesca com jig-heads, modelos com elevada relação de recolhimento (7:1) são mais indicados.

Linhas: de multifilamento, de 0,23 a 0,30 mm (20 a 30 libras de resistência).

Líder: de fluorcarbono, entre 0,40 e 0,60 mm de espessura.

Iscas: crankbaits com diferentes tamanhos de barbela, jumping jigs entre 15 e 30 gramas e soft baits (shads e camarões) entre 7 e 11 centímetros, acoplados a jig-heads entre 7 e 14 gramas.

 

 

Fotos: César Pansera

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