Técnicas de pesca esportiva na pesquisa ‘Marque & Solte’ | Revista Pesca Esportiva

Técnicas de pesca esportiva na pesquisa ‘Marque & Solte’


Cristiano Borges Muriana
07/04/2017

O projeto Marque & Solte estuda a ictiofauna, no entorno da Laje de Santos, e utiliza técnicas de pesca esportiva. Você pode ajudar, soltando e informando, quando fisgar um peixe tagueado

 

Eu Cristiano, pescador esportivo desde criança, tive a felicidade e o prazer em realizar meu trabalho de mestrado na área do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, orientado pelo professor Amorim, pesquisador do Instituto de Pesca de Santos, com o título de “Levantamento e marcação de ictiofauna com técnicas de pesca esportiva na Laje de Santos”.

A Laje de Santos, pertence ao Parque Estadual Marinho da Laje de Santos (PELMS), situado dentro do Setor Itaguaçu, que funciona como a zona de amortecimento do PELMS e também tem a pesca proibida em seu interior. Para a realização do projeto, nossa equipe solicitou as licenças necessárias (Sisbio e Cotec), concedidas apenas para trabalhos de pesquisa, após passar por avaliação criteriosa dos órgãos competentes.

O projeto recebeu o nome de “Marque & Solte”, em todos os cruzeiros realizados. Equipe do projeto e todos os tripulantes das embarcações foram uniformizados com a camiseta, além de hastearmos na embarcação a bandeira, com o logo do projeto.

Todas as saídas foram acompanhadas dos órgãos de fiscalização e ou responsáveis. Por se tratar de uma unidade de conservação de proteção integral, esse procedimento e cuidado não são desnecessários. A Laje de Santos é um local extremamente preservado, portanto, para um projeto desse tipo acontecer é importância que seja feito com responsabilidade.

Os peixes capturados eram identificados, medidos, pesados, fotografados, marcados (quando possível) e soltos. A marcação dependia do estado de saúde do peixe, caso o animal mostrasse sinais de baixa vitalidade, nós acelerávamos o processo de soltura sem marcá-lo, para preservar a saúde do animal.

 

Durante o andamento do trabalho, várias técnicas de captura foram usadas, tanto com iscas naturais (sardinha e lula), quanto artificias. As técnicas mais usadas foram o popping e o Jigging. Porém, junto às rochas, na zona de arrebentação, também lançamos mão dos camarões com jig head.

Infelizmente, em quase todas as saídas que fizemos, barcos de pesca amadora eram avistados, pescando irregularmente na região. Isso evidencia  a falta de educação ambiental no Brasil. As áreas de proteção são criadas com o objetivo de garantir a reprodução dos estoques, e com a finalidade de “exportar” peixes para outras regiões, que sofrem grande impacto de pesca.

 

Mesmo com o impacto sofrido de pesca irregular, a Laje de Santos se mostrou um local muito preservado e com uma natureza exuberante. Como em todos os outros lugares, alguns dias a produtividade de pescaria não é boa. Porém, quando o dia estava bom, o trabalho não parava um segundo. Cheguei a solicitar aos pescadores que nos auxiliavam, para fazerem uma pausa na pesca, pra que eu pudesse realizar a biometria em todos os peixes.

O auxílio dos pescadores esportivos agora é essencial. Muitos peixes marcados, realizam migrações. Então, caso você capture um peixe com uma de nossas marcas, envie um e-mail ou ligue informando, o local onde capturou, o tamanho e o peso do peixe e o número da marca que está nele. O telefone de contato é: (13) 3261 1900 e o e-mail marquesolte@pesca.sp.gov.br. Importante soltá-lo, para permitir uma nova captura e para amplificar as informações biológicas.

Depois de realizar um trabalho com pesca esportiva em uma área de preservação, levo comigo, ainda mais, a certeza da eficiência da pesca esportiva como preservação das espécies. Cabe a nós, pescadores esportivos, termos a consciência da importância da preservação. Só assim, em futuras criações de unidade de conservação, nós poderemos reivindicar que a pesca esportiva seja incluída e contemplada como atividade de turismo.

 

 

Fotos: Arquivo Pessoal/Cristiano Borges Muriana

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