Rio São Francisco | Revista Pesca Esportiva
Jum Tabata
20/01/2015

Sobre o destino

 

A rota mineira do Velho Chico

Entre Três Marias e Pirapora (MG), na região do Alto São Francisco, pescarias fantásticas de dourados e matrinxãs com iscas artificiais podem ser feitas em meio a cenários cinematográficos

 

A primeira barragem do São Francisco fica em Três Marias (MG), logo acima da ponte da BR-040, que liga Belo Horizonte a Brasília. Construída em 1 962, possui 1 042 quilômetros quadrados, onde é possível capturar espécies como tucunarés-amarelos, piranhas, traíras, curimatãs e piaus, sendo que para estas duas últimas é necessário que se faça uma boa ceva.
Abaixo da barreira, os praticantes da pesca com iscas artificiais podem capturar duas espécies exclusivas do Velho Chico, o dourado (Salminus franciscanus) e a matrinxã (Brycon orthotaenia) do São Francisco, esta última com hábito alimentar onívoro, baseado em pequenos peixes, insetos, flores e frutos. Segundo estudiosos, esse briconídeo pode atingir até sete quilos de peso. Mas infelizmente, hoje em dia, exemplares desse porte são muito raros. Apesar dos índices de captura das duas espécies não serem dos mais elevados, a viagem certamente vale a pena.
Cerca de 2 quilômetros após a barragem é possível avistar os primeiros dourados passando sob o barco, nas proximidades da temida Cachoeira Grande. Nesse local, apesar do rio possuir largura de mais de 400 metros, a única passagem é feita num ponto com largura de apenas 1,5 metro.
Nas corredeiras e “cabeças” de cachoeiras, a busca é pelo dourado. Opte por plugs de meia-água, principalmente os prateados. As ações ficam mais intensas logo após a barra do rio Abaeté, com franciscanus de menor porte.
Já nos trechos com presença de matas ciliares e troncos nas margens (foto abaixo), ocorrem as matrinxãs, que se escondem junto a folhagens e galhadas para fugirem de seu maior predador, o dourado. A transparência excessiva das águas, ao mesmo tempo em que proporciona um visual de tirar o fôlego, dificulta um pouco a pescaria, já que não é possível se aproximar muito das margens sem afugentar as ariscas matrinxãs. Insista em locais próximos a árvores frutíferas, como a gameleira, cujos pequenos frutos são bastante apreciados pela espécie.
Outro ponto de destaque é Pirapora, que está a 120 quilômetros de Três Marias. No caminho há um local conhecido como Cachoeira do Ladeiro ou Criminosa, região muito procurada por adeptos da pesca do piau.
Uma dica importante: logo abaixo da ponte Marechal Hermes está a cachoeira de Pirapora, um obstáculo natural para as embarcações, que é ao mesmo tempo um tradicional local de pesca. Uma curiosidade é que os pontos nessa cachoeira têm “donos”, e é feito revezamento para pescar. Trata-se de uma tradição antiga entre os pescadores da cidade, passada de pais para filhos.

 

Pesca com mosca
Para capturar os dourados, os adeptos do fly podem tentar a sorte entre a BR-040 e barragem. Nesse trecho, é interessante o uso de uma âncora, já que a corredeira é forte. Opte por uma linha intermediária e equipamento classe 8, pois a qualquer momento um exemplar maior pode aparecer. Aqueles que desejam mais esportividade, podem usar tralha classe 5 ou 6, certamente a emoção será ainda maior.
Quando os alvos forem as matrinxãs, utililize equipamento número 7 com linha flutuante, e iscas como streamers e hair bugs.

 

Pesca noturna com iscas vivas
Muito praticada na região de Três Marias, a pesca noturna do dourado com iscas vivas se mostra bastante eficiente. As preferidas são as tuviras, por lá também denominadas de sarapós, e um mandi branco que faz muito ruído quando colocado no anzol. Esse pequeno bagre só é capturado à noite, preferencialmente nos pequenos córregos que deságuam no rio. Para essa situação, o ideal é utilizar equipamentos mais robustos, com anzóis 7/0 e 8/0, linhas 0,50 mm a 0,70 mm e varas classe 30 libras ou acima.

 

Corrico
Os guias de pesca da região afirmam que, com iscas artificiais, os maiores dourados são capturados apenas no sistema de corrico. As mais utilizadas são as colheres, algumas de tamanho bem exagerado, com cerca de 30 centímetros de comprimento (detalhe à direita). Elas são feitas artesanalmente, com pára-choques de Fusca e outros objetos de aço. Dê preferência à linhas de mono-filamento, com diâmetro de 0,60 a 0,80 mm para conjuntos de vara e carretilha (ou molinete) e até 1,2 mm para linhadas de mão.

 

Distâncias de Três Marias

Belo Horizonte: 260 km
Brasília: 462 km
Rio de janeiro: 739 km
São Paulo: 836 km
Goiânia: 597 km

 

Dicas de viagem

 

Equipamentos recomendados

Baitcasting
Varas: rápidas, com 6 a 7 pés, classe 20 a 25 libras
Linhas: de multifilamento, com 30 libras de resistência
Empate de aço: flexível, com 15 cm
Carretilhas: com capacidade para 120 metros de linha
Iscas: plugs variados (principalmente de meia-água), com 8 a 12 centímetros

Fly
Equipamento: classe 7 ou 8, com linha flutuante (floating) ou intermediária (intermediate)
Iscas: hairbugs e streamers atados em anzóis de haste longa, em tons de amarelo ou escuro com penas/pelos.
Empate de aço flexível com 5 a 7 cm

 

Serviço

 

Onde ficar

Em Três Marias:

Pousada Canto do Rio
Tel.: (38) 3563-3100
www.pousadacantodoriotm.com.br

Hotel Brisa do Rio
Tel.: (38) 9116-2703

Em Pirapora:

Hotel Pousada da Sissi
Tel.: (38) 3741-1123
www.hotelpousadasissi.com.br

Hotel Canoeiros: (38) 3741-1933
www.hotelcanoeiros.com.br

 

Guia de pesca

 

Guia de pesca em Três Marias

Sr. Norberto
Tel.: (38)3563-3031 / 9984-0315
O valor da diária dos guias da região é de cerca de R$ 150, mais o combustível.

 

Fotos: Tuíra Tule, Aléssio Freire e Internet/Divulgação

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