Picadas perigosas


Giuliano Andretta
06/02/2017

Pescaria e mosquitos sempre andaram juntos, mas quando envolvem doenças perigosas, a prevenção é fundamental

 

 

A febre amarela está aí, basta assistir ao noticiário ou ler os jornais. E o pior, ocorre em áreas muito procuradas por pescadores esportivos. Muito além de zunidos incômodos, coceiras ou alergias provocadas por picadas de mutucas, piuns, borrachudos, “porvinhas” e outros, é fundamental nos protegermos corretamente contra as doenças transmitidas por mosquitos. Locais como a bacia do rio Negro, cujas águas têm elevado grau de acidez e impedem a reprodução da maior parte dos mosquitos perigosos à saúde, são exceções. No entanto, muitos pescadores que vão a essa ou outras regiões sem perigo de contaminação podem, eventualmente, passar por áreas de risco. Portanto, a prevenção começa com a busca pela informação apurada do trajeto da pescaria, e pelo conhecimento das principais doenças que podem transformar o lazer em perigo e preocupação.

>> Malária: é uma doença infecciosa aguda ou crônica, causada por protozoários parasitas do gênero Plasmodium, e transmitida pela picada de mosquitos do gênero Anopheles. A “maleita” ou “febre terçã” atinge, por ano, pelo menos 300 milhões de pessoas no mundo, ocasionando a morte de pelo menos 1 milhão.
> Ocorrência: no Brasil, a principal região de risco é a amazônica, onde foram registrados, de acordo com a a Secretaria de Vigilância em Saúde, mais de 540 mil casos em 2006.
> Prevenção: ao passar ou permanecer em regiões de risco (sempre povoadas por humanos), tome sempre os seguintes cuidados, lembrando que não há vacina contra a malária:
– Tenha na caixa de pesca um bom repelente;
– Use redes contra mosquitos durante o sono;
– Dê preferência a roupas leves com mangas compridas, sempre de cores claras. Mosquitos geralmente são atraídos por cores mais escuras;
– Os principais horários em que o mosquito Anopheles se alimenta são o amanhecer e o entardecer. Durante esses períodos, cubra a maior parte possível de seu corpo, principalmente pernas, braços e pescoço. Um pouco de repelente nas partes expostas resolverá o problema;
– Caso você apresentes febres altas e intemintentes algumas semanas após uma pescaria na Amazônia, daquelas que têm horário marcado, exija um “teste de lâmina”, corriqueiro na região norte do Brasil, porém incomum no sul.

>> Febre amarela: trata-se de uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), causada por um vírus que ocorre nas Américas Central e do Sul, e na África. De acordo com o local de ocorrência e a espécie do vetor (mosquito transmissor), é classificada como silvestre (gêneros Haemagogus e Sabethes) ou urbana (Aedes aegypti). Desde 1942 não há relatos da ocorrência urbana, quadro que corre o risco de mudar. Em janeiro deste ano, estavam confirmados pelo menos doze casos da doença, com oito mortes. Lembre-se que o Aedes aegypti é, também, transmissor da dengue, presente inclusive em centros urbanos.
> Ocorrência: estão classificadas como áreas os estados do Acre, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Roraima, Amapá, Rondônia, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, além de parte dos estados do Piauí, Bahia, Minas Gerais, Sâo Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Grande parte desses estados são destinos pesqueiros, o que justifica a alta incidência de pescadores que já contraíram a doença.
> Prevenção: é bastante simples, representada pela eficaz vacina contra a febre amarela.
– A vacina é gratuita e esta disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano;
– Ela deve ser aplicada 10 dias antes da viagem, e é valida por 10 anos.
– Atenção: a vacina é contra-indicada a gestantes, imonudeprimidos (pessoas com o sistema imunológico debilitado) e pessoas alérgicas a gema de ovo.

 

Foto: Divulgação

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