Pesquisadores estão realizando estudos com peixes alagoanos | Revista Pesca Esportiva

Pesquisadores estão realizando estudos com peixes alagoanos


Da Redação PESCA ESPORTIVA
31/10/2016

A parceria da Universidade Federal de Alagoas com a Universidade do Porto (Portugal) para a realização de pesquisas com espécies aquáticas potenciais do Estado ganha mais um importante salto no intercâmbio firmado entre as duas instituições. O professor Emerson Soares, do Laboratório de Aquicultura (Laqua/Ceca), foi convidado para apresentar os estudos científicos em andamento com foco nos cultivos multitróficos e toxicidades de peixes da espécie Eugerres brasilianus, a conhecida carapeba e curimatã-pacú, cientificamente denominada de Prochilodus argenteus.

Ao falar sobre o estudo desenvolvido com a carapeba, o pesquisador destacou que no Brasil existem poucos grupos que realizam pesquisa com a espécie e o da Universidade Federal de Alagoas é um dos mais avançados na área de microparasita e reprodução. A carapeba, que tem boa qualidade proteica e índice baixo de gordura, é um dos peixes mais apreciados nos mercados do Nordeste e figura entre as seis espécies mais capturadas no litoral sul e Foz do São Francisco.

Ciclo reprodutivo

O pesquisador Emerson Soares informa que o ciclo reprodutivo da carapeba tem relação com o clima e com a qualidade do ecossistema. Na falta ou escassez de chuva, a reprodução da espécie é prejudicada. A carapeba frequenta o mar, o estuário e a água doce e, devido à essa interação, o cuidado com a poluição em qualquer destes ambientes influenciam na sua reprodução, principalmente nas áreas de mangue.

“A espécie entra na água doce para se proteger e viver parte de seu ciclo de vida. Vai ao estuário para se alimentar e para a reprodução. [O peixe] frequenta a área costeira marinha, também, para se alimentar e reproduzir, e retorna à água doce para viver o seu resto de ciclo de vida. Por isso, é chamado de peixe diádromo, por viver nestes ambientes”, explica Emerson.

O curimatã-pacú é uma espécie de água doce e há no Laqua o desenvolvimento de um projeto em sistema de policultivo com o camarão marinho adaptado à água doce com a aquaponia, que consiste no cultivo de um sistema hidropônico de hortaliças ligado ao cultivo das duas espécies. “Isso proporcionará que o sistema, com o reuso de água, seja tratado por reações de fenton, que é uma reação eletroquímica”, enfatizou o professor.

As pesquisas com os peixes carapeba e curimã-pacú têm a participação também de pesquisadores do Instituto de Química e Biotecnologia (IQB) e do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) para as específicas áreas de estudo, que são: toxidade; genotixidade e microparasitas; reações de fenton; aquaponia; e neurotoxicologia. Além de Emerson Soares integram a equipe Elton Santos, Sônia Salgueiro, Themis Silva, Carmen Zanta, Josealdo Tonholo, Adriana Ximenes e o pesquisador da Universidade do Porto, Carlos Azevedo.

Emerson adiantou que o projeto que trata sobre toxidade de peixes, aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), conta com a participação dos mestrandos em Zootecnia Fábio Silva e Gabriela Santos, além da pós-doutora Jacqueline Silva, e da professora Fabiane Caxico, ambas do IQB. O projeto está sob a coordenação de Elton Santos e Emerson Soares e co-orientação de Sônia Salgueiro, também do IQB.

Alavancar pesquisas

Alagoas detém 1, 47% da produção nacional de pescado, 35 mil pessoas estão envolvidas na atividade e a aquicultura de peixes de água doce é desenvolvida atualmente por 300 produtores locais. Mesmo com vocação e potencial para o franco crescimento e consolidação de tão importante setor produtivo, o Estado continua incipiente para a produção visando o fortalecimento da atividade, desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda.

O pontapé inicial para alavancar a atividade pesqueira em Alagoas foi dado pelo Centro de Ciências Agrárias (Ceca), da Universidade Federal de Alagoas com a inauguração do Laboratório de Aquicultura, que consiste em mais um espaço de aprendizado conectado com as ações de ensino, pesquisa e extensão, visando a formação profissional qualificada. O laboratório é o primeiro do Estado e um dos poucos da região Nordeste para a produção também de peixes marinhos.

 

 

Foto: Divulgação/UFAL

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