Pesca Responsável


Alec Krüse Zeinad
03/05/2017

É inegável que com o passar do tempo a evolução dos equipamentos e técnicas de pesca resultam em mais eficiência nas capturas, o que pode ser encarado como maior responsabilidade pelo pescador amador/esportivo

 

Lembro-me que até bem pouco tempo atrás, as linhas de pesca eram todas confeccionadas em náilon. Há cerca de 20 anos, o que o mercado mundial viveu foi um aumento crescente na tecnologia de sua produção. Polímeros modernos eram utilizados na confecção de linhas mais avançadas, como menor memória, maior resistência à abrasão, maior resistência em diâmetros menores, o que permitia armazenar maior quantidade.

Tudo isso, muitas vezes, podia ser traduzido como vantagem, principalmente no caso de peixes que requerem maior quantidade de linha no carretel, para garantir que longas corridas não resultassem na perda da linha por seu término. Também me lembro que nessa época vi, pela primeira vez, uma linha de multifilamento. Parecia um tipo de cordonê, muito ruim para atar qualquer tipo de terminal e bem desconfortável para se pescar.

Contudo, com o passar do tempo este tipo linha sofreu uma revolução, através da produção de diferentes polímeros e tramas que permitem maior conforto durante a pesca, menores diâmetros associados a maior resistência, e a possibilidade de se armazenar grandes quantidades e de forma bem superior às linhas de náilon. Pode-se dizer que o náilon, cada vez mais, se torna coisa do passado. Eu, particularmente, ainda uso o náilon em algumas carretilhas e gosto bastante. Em algumas situações acho que leva grande vantagem sobre as linhas de multifilamento, apesar de reconhecer que estas são cada vez melhores. Hoje está cada vez mais raro ver pescadores usarem o náilon.

 

Linhas e todo tipo de apetrecho ganham hoje em resistência, resultado do avanço tecnológico

Linhas e todo tipo de apetrecho ganham hoje em resistência, resultado do avanço tecnológico

Toda essa introdução para dizer que uma coisa neste movimento mudou, e muito! Com a maior resistência, é muito difícil assistir a eventos onde a ruptura da linha de multifilamento acontece. Em certas ocasiões ela pode ser comum, principalmente quando se pesca perto de rochas submersas sem a proteção de um líder de náilon resistente à abrasão ou líder de fluorocarbon. Com as linhas de náilon as quebras eram bem comuns. O que mudou? As chances dos peixes diminuíram!

Os equipamentos como um todo sofreram grandes evoluções, asssim como as iscas e técnicas de pesca. Outra grande evolução se deu no campo das iscas, em especial as iscas de silicone ou soft baits. Prova disso é que a indústria nacional vive uma “explosão” de diferentes modelos, produzidos por diversos e novos fabricantes. Com o aprimoramento das técnicas este tipo de isca se mostra muito eficiente e revolucionou a pesca nacional.

Tudo isso pode ser facilmente comprovado, pelas matérias nas revistas, programas de TV, ou pela verificação “in loco” das pescarias do cotidiano. Por exemplo, as iscas que imitam camarões causaram revoluções na pesca marinha, em especial na pesca dos robalos (Centropomus spp.). Traduzindo: mais peixes capturados.

 

As iscas de silicone ou soft evoluíram e hoje são a sensação do mercado

As iscas de silicone ou soft evoluíram e hoje são a sensação do mercado

 

Poderia ficar aqui tecendo mais considerações, e exemplificando, os grandes avanços que a pesca amadora/esportiva sofreu nas últimas duas décadas no Brasil. Mas o ponto é que com todo este avanço, além do acesso facilitado a regiões outrora inatingíveis, a eficiência das pescarias aumentou muito e os peixes tornaram-se alvos mais “fáceis”.

Contudo, eles não estão sendo capturados em grandes quantidades porque outros fatores tem corroborado para tal: a eficiência da pesca artesanal e profissional também aumentou, assim como as alterações e interferências ambientais, que se traduzem em menos quantidades de peixes a cada dia que passa. A soma desses fatores nos leva a afirmar que também é preciso que a postura dos pescadores amadores/esportivos  avance, amadureça e “evolua” no que se refere ao seu comportamento.

 

O pescador esportivo tem obrigação de pensar no futuro do esporte e soltar sempre

O pescador esportivo tem obrigação de pensar no futuro do esporte e soltar sempre

 

Cada vez mais é imperativo que se solte a maior parte dos peixes capturados, em especial dos pequenos e, principalmente, dos grandes exemplares. O respeito ao meio ambiente também deve aumentar, assim como o cuidado dispendido para com ele. Temos a obrigação de pensar no futuro de nosso esporte e das gerações que nos seguirão. Pescar cada vez mais, e melhor, mas também com mais responsabilidade e cuidado!

 

Fotos: Alec Zeinad/Ruy Varella/Giuliano Andretta

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