Pesca no Rio Guaporé


Da Redação PESCA ESPORTIVA
10/01/2017

O “Bem na foto” do mês de janeiro, é do pescador Luis Alberto Porsani. Confira a pescaria dele no Rio Guaporé, RO

 

No dia 29 de julho, parti para a  realização de uma sonho: pela primeira vez, uma expedição fora do Estado de São Paulo, que não fosse para um pesque e pague. Dentre diversas dificuldades transcorridas, o transporte foi uma delas. Para se chegar à cidade de Cabixi (RO), é necessário pegar dois voos de diferentes companhias aéreas, sendo o primeiro até Cuiabá por qualquer empresa, e, um segundo, que impõe um ligeiro obstáculo: o percurso até Vilhena é realizado por o apenas uma empresa, que o faz uma única vez ao dia.

Com os horários bem restritos, tivemos que pedir ao comissário de bordo no primeiro voo, para que entrasse em contato com o aeroporto e solicitasse o aguardo de nossa chegada, a fim de despachar as últimas bagagens. Logo após esse trajeto aéreo, foram três longas horas de ônibus até o tão esperado Rio Guaporé.

Ao chegar, me deparei com uma vista deslumbrante e me realizei com a sensação de imensidão que aquela natureza proporciona. Logo de cara, lidamos com um rio imponente e desafiador, mas que acolhe o pescador, com toda sua biodiversidade. Mais ao fundo daquela linda paisagem um paredão gigantesco, que simboliza literalmente a divisa entre países. Antes da muralha, território brasileiro e depois, terras bolivianas.

 

 

Além da natureza exuberante, fomos muito bem acolhidos na Pousada e seus dois proprietários, Wagner e Ronaldo; prontos para servir seus visitantes da melhor forma possível. No dia seguinte, chegou a hora mais importante: peixe na linha. Foi elaborada e colocada em pratica uma estratégia para tentar realizar o sonho de capturar um belo tucunaré em terras amazônicas. Acredito que todo pescador tem esse sonho, porém para quem mora em regiões muito afastadas essa gana de conseguir realizar é um pouco maior.

Passamos o início da manhã, das 6h30 até as 9h, tentando os grandes peixes de couro, já que o horário era propício à pesca deles. Em seguida fomos em busca do nosso objetivo. Foi o dia inteiro de “plug” voando nas galhadas, “flip casting”, “overhead casting”, “side hand casting” e todos os tipos de trabalhos de iscas possíveis e imagináveis, mas nada do nosso amarelinho aparecer. Era hora de voltar para a pousada, após um dia pouco produtivo e desanimador.

No dia seguinte, um dos membros do grupo disse algo marcante, que fez toda a diferença: “Dentre os 200 milhões de brasileiros, temos hoje 11 milhões de desempregados e mais uma miúda parcela da população que pode desfrutar e conhecer um lugar como esse, tão inóspito e belo.  Então se tranquilizem, aproveitem as amizades e o momento que estamos vivendo, é nessa hora que o peixe vem.” Dito e feito. Depois desse ensinamento, conseguimos realizar uma bela pescaria.

Tivemos inúmeras cacharas de pequeno porte, fora de medida, é verdade, mas também tivemos a alegria de pegar na medida utilizando um equipamento leve, o que nos proporcionou ainda mais emoção. Em outra passagem pelo Rio, a arara das águas veio dar as caras, e saiu um belo exemplar de pirarara, que pesava aproximadamente 10kg. Mas a grande surpresa foi que o deck da pousada seria um ótimo ponto de pesca, capturamos inúmeras cachorras de pequeno e médio portes num flutuante, na tranquilidade de estar com pé no chão e com tudo em mãos.

Até que no penúltimo dia de pescaria, num arremesso completamente despretensioso, apenas para nos distrair enquanto esperávamos os peixes de couro, veio o aguardado tucunaré-amarelo. Foi a magistral e inexplicável sensação de realizar um sonho.

A partir dos ensinamentos adquiridos nessa viagem, concluí que: os botos não são capazes de estragar uma pescaria, as piranhas não são capazes de estragar uma pescaria, nem mesmo o pior dos males que é a ação predatória do homem é capaz de estragar uma pescaria. Sinta a natureza que ela lhe acolherá, respeite-a como se fosse seu bem mais precioso e terá mutualidade, e os objetivos serão alcançados em seu tempo e da forma mais incrível.

 

 

Fotos: Arquivo Pessoal/Luis Alberto Porsani

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