Para baixo e avante | Revista Pesca Esportiva

Para baixo e avante


Ian Sulock
10/08/2016

A previsão é de boas fisgadas na pesca de fundo em regiões de mar aberto. Munido de bons equipamentos e as informações certas, não faltarão bons peixes, de badejos a lírios – passando por pargos, olhetes, namorados, chernes… – na ponta da sua linha

 

Você provavelmente já sabia que o inverno traz consigo o aumento da ocorrência de frentes frias nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Mas talvez não saiba que esse período é o melhor do ano para a pesca de fundo em regiões de mar aberto. Em outras palavras, suas chances de sucesso na pesca de pargos, badejos, chernes, olhetes e uma série de outros peixes esportivos a partir da faixa dos cinquenta metros de profundidade são as maiores do ano. Com as dicas a seguir ficará mais fácil garantir boas brigas com os principais astros – por faixas de profundidade – da modalidade, que exige um bom barco, equipamento e iscas apropriadas e bastante disposição para encarar o balanço das ondas do mar, às vezes nada suave nesta época do ano.

 

 

DOS 30 AOS 60 METROS

Destaque: badejo-saltão (ou mira)

Para encontrar este peixe que, de tão forte, parece movido a anabolizantes – o apelido “saltão” é atribuído à velocidade com que ataca suas presas – é muito importante localizar regiões cujo fundo é composto por pedras, onde os membros da espécie comumente se reúnem em grupamentos expressivos durante este período. O litoral carioca, na faixa de 25 a 35 milhas da costa, é um dos mais pródigos na presença desse peixe entre o outono e o inverno.

E para pescá-lo? Procure obter iscas vivas como camarões, lulas e sardinhas, que podem ser adquiridas de fornecedores locais ou pescadas por você mesmo (as lulas com zangarelhos e as sardinhas ou outros pequenos peixes com sabikis). Durante a rodada, certifique-se de que a chumbada está tateando o fundo o tempo todo, subindo e descendo lentamente a ponta da vara; quando a linha bambeia, é sinal de que o peso encostou no leito. Executar trabalhos curtos e rápidos de metal jigs junto ao fundo também pode dar resultados.

 

 

DOS 60 AOS 150 METROS

Destaques: pargos, namorados, olhetes e chernes

Se nesta faixa de profundidade é mais difícil encontrar badejos, os pargos são muitas vezes pescados literalmente às pencas, principalmente em áreas com fundo de cascalho. Não à toa, o tipo de chicote mais usado nesta modalidade foi batizado de “pargueira”. Pelo menos três tipos de namorado podem ser capturados, alguns podendo ultrapassar a casa dos dez quilos, proporcionando uma briga e tanta. Também há chances de se deparar com bons olhetes, principalmente se o fundo apresentar características distintas como pedras altas ou naufrágios. Os chernes aparecem sem aviso e, quando muito grandes (como o cherne-negro, que passa de 200 kg), dificilmente são embarcados.

E para pescá-los? As iscas-padrão são lulas e bonitos cortados em tiras ou pequenos pedaços. O equipamento pode até ser o mesmo dos badejos, mas a partir dos 100 metros de profundidade já se costuma adotar o uso de carretilhas elétricas e chicotes com três a cinco anzóis, para fazer render mais cada descida e subida das pargueiras. Porém, se os olhetes forem o objetivo, o ideal é optar por um chicote reforçado com apenas dois anzóis iscados com lulas vivas. Metal jigs de 100 a 250 gramas também dão resultados.

 

DOS 150 METROS EM DIANTE

Destaques: olhos-de-cão e lírios 

A partir da descida mais acentuada da plataforma continental, além dos pargos e namorados, as duas espécies acima são muito comuns, especialmente os lírios, além dos 200 metros de profundidade. Com uma boa sonda é possível identificar os cardumes e ainda “chutar” de que peixe são. Enquanto pargos, chernes e namorados se concentram bem colados nos cascalhos, os olhos-de-cão se agrupam mais acima.

E para pescá-los? Como muitas vezes a pargueira nem chega a encostar no fundo e os peixes já começam a bater, pode-se escolher entre capturar os olhos-de-cão pelo caminho ou deixar as iscas encostarem no fundo tendo como objetivo os demais peixes. Um macete para não perder tempo e aumentar as capturas é marcar a profundidade mostrada na tela da carretilha elétrica. Se a linha for do tipo que muda de cor (geralmente a cada cinco ou dez metros), basta observar em que cor as primeiras ações aconteceram. Ou então, assim que o peso encostar no fundo recolha alguns metros e aguarde as ações.

 

10 dicas importantes

  1. Embora seja possível usar até sete anzóis na pargueira, procure ficar no limite entre três e cinco para evitar maiores embaraços, inclusive com seus parceiros a bordo.
  2. Coloque sempre um anzol de maior tamanho perto da chumbada, para o uso de iscas grandes. Isso pode render grandes namorados e chernes.
  3. Os anzóis circulares tornam desnecessária a execução de fisgadas constantes. Basta manter uma tensão permanente na linha assim que as ações começarem a acontecer.
  4. Qualquer tipo de linha de monofilamento será elástica demais para as profundidades em que se pesca nesta modalidade. Mesmo que as de “multi” custem mais, invista nelas.
  5. Se optar por um equipamento manual ao invés da carretilha elétrica, prefira molinetes, que, via de regra, têm razão de recolhimento superior ao das carretilhas comuns.
  6. Chumbadas de um quilo não são exagero. Dependendo da profundidade, vento e correnteza, pode ser necessário até mais peso para fazer a isca atingir o fundo.
  7. Como não se ancora a embarcação, é fundamental posicioná-la corretamente para que percorra a área de interesse; às vezes, são necessárias duas ou mais “rodadas-teste” até acertar. O processo representa praticamente 70% do sucesso da pescaria.
  8. Os 30% restantes são, em grande parte, representados pelo uso de eletrônicos de qualidade, bem como sua correta interpretação. No mais, é contar com boas iscas e levá-las à profundidade desejada é a parte mais fácil do processo.
  9. No Sudeste, é comum navegar até 50 milhas para atingir as áreas de pesca. Isso reforça a importância de se contar com uma embarcação segura, de preferência com dois motores, e checar a previsão de mar e vento até o último momento antes de embarcar.
  10. Como os motores ficam ligados o tempo todo para manobras, há geração de fumaça e movimentos que podem causar o temível enjoo. Para evitá-lo, procure orientação médica e tome as devidas precauções. E jamais deixe de se alimentar, tanto antes como durante a pescaria.

 

Compartilhe:

Agenda

Próximos Eventos


@revistapescaesportiva

Twitter


Assine a Revista Pesca Esportiva com 7% de desconto e frete grátis.