O sonho da Mãe dos Rios


Da Redação PESCA ESPORTIVA
23/11/2017

O “Bem na foto”* da edição de novembro, é do pescador Lukas Henrique Odinino Fedel. Confira o relato!

 

O sonho de capturar um bagre gigante começou através das histórias de pescarias contadas pelo meu avô, o “Seu Chico”, que sempre pescava com seus amigos no Pantanal há mais de 40 anos. E assim a paixão pela pescaria em nossa família foi passada de pai para filho até chegar em mim.

E as histórias do meu pai Waldemir Fedel, que já tinha fisgado grandes piraíbas e pirararas no Rio Araguaia, fizeram com que meu desejo de capturar a lendária piraíba se tornasse cada vez maior. Sempre assistindo vídeos e programas relacionados à pesca da Mãe dos Rios, ano após ano eu me apaixonava e me deslumbrava com a lenda do bagre gigante.

Foi em 2016 que consegui minha primeira oportunidade de pescar no famoso Rio Araguaia, com meu pai e alguns amigos da nossa cidade, Monte Sião – MG. Foi uma longa viagem de mais de 1500 km até chegarmos ao nosso destino final, a cidade de São Félix do Araguaia – MT.

Porém, mesmo com muita insistência e ansiedade, após longos cinco dias de pesca e um calor quase insuportável, somente uma pirarara encontrou nossa isca. Voltei para casa desanimado e frustrado por não ter realizado meu maior sonho de pescaria. Mas havia aprendido uma lição com meu pai: sem sacrifícios não há vitórias.

Comecei a pesquisar mais sobre a pesca da piraíba e notei que voltar para casa sem sucesso era normal – foi o suficiente para alimentar meus ânimos. Após um ano, mais uma vez eu iria em busca da gigante. Dessa vez, optamos por ir até a cidade de Luciara – MT, uma das últimas fronteiras onde se encontram piraíbas em fartura.

Já na caçada pelo troféu, próximo ao nosso destino final, recebi um sinal do rio, para minha surpresa: numa praia rasa, nosso guia Eldo (Bicudo) observou um peixe nadando em busca de alimento, então me virei e também consegui observá-la. Era ela, ela estava por ali…Porém, até então, somente duas belas pirararas acharam nossos anzóis. Em compensação, no barco que nos acompanhava, o parceiro Leandro Cabral fisgou um filhote de piraíba, o que nos animou bastante.

Continuávamos em busca da rainha dos rios. Tendo a torcida dos familiares e dos amigos do nosso grupo de pesca Caçadores de Fisgadas, resolvemos explorar a região do encontro do Rio Tapirapé com o grande Araguaia. A isca escolhida era a corvina, peixe que fisgamos no próprio ponto de pesca. Soltamos mais de 300 metros de linha na água para não espantar as manhosas piraíbas, e em menos de dez minutos, eis que a vara desceu e a carretilha começou a cantar. Fisguei!

Então pude ver pela primeira vez o meu troféu: a lendária piraíba mostrou sua enorme barbatana dorsal e afundou rapidamente tomando linha incansavelmente. Vendo a cena, o guia Bicudo gritou: “É peixe grande!”. Comecei a ficar com braços e pernas trêmulos, pois sabia que ali estava a realização de um sonho. Após trinta minutos de briga intensa, com o risco de piranhas cortarem a linha, eu consegui cansá-la.

Tiramos a gigante em uma praia e consegui abraçá-la, eu e meu pai chorávamos de emoção e adrenalina. Medimos, tiramos algumas fotos rápidas e devolvemos a fantástica Piraíba de 1,71m ao seu lugar de origem: o grande e imponente Rio Araguaia. Vê-la ir embora me deixou a sensação de dever cumprido e sonho realizado.

Tivemos ainda mais duas pequenas piraíbas fisgadas e soltas nessa viagem de pai e filho. Só então pude de fato compreender a importância da pesca esportiva e da lição de que sem sacrifícios não há vitórias. Gratidão a Deus, ao meu Pai, aos amigos e ao guia Bicudo. Sonho realizado e o grande desejo de continuar pescando!

*Pescaria realizada de 26/09 à 03/10/2017.

 

 

Fotos: Arquivo Pessoal/Lukas Henrique Odinino Fedel

Compartilhe:

Agenda

Próximos Eventos


@revistapescaesportiva

Twitter

Assine a Revista Pesca Esportiva com 7% de desconto e frete grátis.