No rolar das engrenagens


Da Redação PESCA ESPORTIVA
30/06/2017

Se para você a quantidade de rolamentos é a característica mais importante de uma carretilha ou um molinete, saiba que há outro fator que deve ser considerado antes de você decidir pela compra do equipamento: a relação de recolhimento

Peso, capacidade de linha e quantidade de rolamentos são os quesitos mais pesquisados por pescadores quando à procura de uma carretilha ou molinete para compor um novo conjunto. Sem dúvida, são todos pontos cruciais para definir essa importante escolha. Porém, um detalhe muitas vezes ignorado é a relação de recolhimento. Iniciantes e mesmo praticantes mais experientes podem não se dar conta, mas essa característica técnica de nossas preciosas “maquininhas” tem grande influência no conforto e no rendimento das pescarias. Por isso, é bom compreender o conceito e prestar muita atenção na hora da compra, o que não falta são opções nas prateleiras das lojas.

Como funciona

A relação ou velocidade de recolhimento nada mais é do que o número de vezes que o carretel gira a cada volta completa da manivela. Tal correspondência é definida pelo tamanho e quantidade de dentes da dupla de engrenagens conhecida como coroa e pinhão. Para determinar a velocidade do equipamento, basta dividir o número de dentes das peças. O especialista em manutenção de equipamentos Eduardo Hyodo explica: “O conjunto formado por uma coroa com 77 dentes e um pinhão com 11 produzirá uma relação de 7.0:1”. A nomenclatura é universal: “5:1”, por exemplo, indica uma relação de cinco voltas do carretel para cada volta da manivela, relação essa considerada “lenta” para os padrões atuais. Por outro lado, se a indicação for de “6.3:1”, o pescador terá em mãos um equipamento mais “veloz”.

E qual o efeito prático dessa diferença? É fácil intuir que, quanto maior a relação de recolhimento, maior a quantidade de linha recolhida a cada giro da manivela. Mas isso também significa que a capacidade de torque (força) do equipamento será menor. “Fica fácil entender a dinâmica se pensarmos nas marchas de uma bicicleta. Numa subida, usamos a reduzida. São mais pedaladas e menos esforço”, explica Fábio Takao, de São Paulo. Hoje, há modelos para todos os gostos e modalidades, com relações que chegam a 7.3:1.

Mas nem sempre foi assim. “Na década de 1 980, o padrão era de 5.3:1. Nos anos 1 990, surgiram as carretilhas que recolhem a 6.2:1”, lembra Renato Martins, da Oficina Badejo, também em São Paulo. Há casos de modelos que disponibilizam velocidades diferentes, sem qualquer alteração no tamanho de seu corpo. “O fabricante mantém o diâmetro da engrenagem, mas muda o número de dentes da coroa e do pinhão”, diz Martins.

 

 

E o que é melhor?

Rápido ou lento, qual a melhor opção? Todos têm seu lugar ao sol e suas aplicações. Para cada situação, e mesmo durante a mesma pescaria, a variação pode ser necessária. “Sem uma carretilha de recolhimento ultrarrápido, não é possível trabalhar uma isca de superfície com velocidade”, garante o experiente pescador Bruno Burian.

Situação semelhante é observada no uso de grandes poppers na pesca em alto mar. “Para capturar os atuns na superfície, é preciso imprimir rapidez ao plug para ter bons resultados”, revela Fábio Takao. A velocidade não auxilia somente no trabalho da isca. “Também ajuda a evitar que o peixe, depois de fisgado, corra para a margem ou para a galhada, já que a recuperação de linha é maior”, explica Martins. Outro destaque é a quantidade de arremessos que se faz. “Agilidade na hora de recolher a linha significa mais pinchos ao final do dia”, completa.

Com todos os benefícios das carretilhas e molinetes velozes, uma conclusão recorrente é a de que os equipamentos lentos são desnecessários, uma vez que é possível diminuir a velocidade das maniveladas e recolher menos linha. Entretanto, como muitos pescadores podem atestar, determinados trabalhos ou tipos de artificiais, como os crankbaits e os spinnerbaits para black basses, não demandam apenas recolhimentos em geral mais lentos, mas também constantes, para que apresentem um bom desempenho, garantia de sensibilidade e fisgadas eficazes.

O maior torque também é essencial em pescarias por definição “pesadas”, como a oceânica, a de grandes peixes de couro e mesmo a vertical no mar; afinal, é necessário força para dar vida a um metal jig de 300 gramas a 100 metros de profundidade ou mais. Por fim, evita-se o cansaço na hora de usar iscas que provocam mais arrasto, e isso vale tanto para o pescador como para a própria máquina. “Se o esforço não for condizente com a especificação do material, pode acabar danificando-o”, alerta Eduardo Hyodo.

 

 

Texto: Alessandro Guimarães

Compartilhe:

Agenda

Próximos Eventos


@revistapescaesportiva

Twitter

Assine a Revista Pesca Esportiva com 7% de desconto e frete grátis.