Metais pesados contaminam peixes no rio Negro, segundo estudo


Da Redação PESCA ESPORTIVA
10/04/2017

Metais pesados (cobre, arsênio, chumbo e selênio) estão contaminando peixes do rio Negro, em Manaus. De acordo com um estudo de doutorado da pesquisadora Francy Araújo, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), 27 espécies estão sendo analisadas, e segundo ela, uma delas, o tamuatá, já está contaminado com os referidos elementos químicos. A hipótese para a causa dessa problemática é que os metais estão saindo do Aterro Sanitário de Manaus, no quilômetro 19, da rodovia AM-010, e sendo despejados no igarapé do matrinxã, que deságua na Bacia do Tarumã.

Segundo Araújo, os peixes com esses elementos químicos estão sendo pescados e indo parar na mesa do cidadão, causando assim um prejuízo enorme para a saúde.

 

O peixe tamuatá já está contaminado com cobre, arsênio, chumbo e selênio nos rios – Divulgação

O peixe tamuatá já está contaminado com cobre, arsênio, chumbo e selênio nos rios – Divulgação

 

“Estamos com um trabalho de dois anos referente aos orgânicos aquáticos. Analisamos o período de seca e cheia de três igarapés e os trabalhos ainda estão em andamento. O consumo desse tipo de peixe pode acarretar sérios problemas para os ribeirinhos que comem o tamuatá, entre eles, o câncer. Não podemos divulgar o nome dos outros peixes, pois o trabalho ainda não foi publicado”, disse a pesquisadora Francy Araújo.

Conforme o pesquisador e doutor em química Sávio José Filgueiras, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o igarapé do matrinxã é uma das águas mais contaminadas da cidade. Segundo ele, o principal problema desse afluente são os resíduos e chorume que estão saindo do aterro sanitário. “Esse igarapé é o mais problemático da Bacia da Tarumã, pois ficou muito contaminado por vários anos”, disse Filgueiras, que tem uma pesquisa de 12 anos nessa hidrográfica.

Estudos em Uberlândia

Um estudo da Universidade Federal de Uberlândia (Ufu), de 2010, dos professores Dorian Lesca e Genilson Pereira, da Ufam, revelou que os resultados das análises químicas (metais pesados) e variáveis físico-químicas (pH, condutividade elétrica e temperatura) indicaram um comportamento aleatório nas proximidades da região do Aterro Sanitário de Manaus. Segundo a pesquisa, o chorume que entrou em contato com o sistema hídrico é de composição físico-química bastante diversificada, o que provavelmente interferiu nas características das águas. Além disso, algumas células apresentavam fraturas, deixando os resíduos expostos que acabavam sendo direcionados ao igarapé do matrinxã. Por meio da pesquisa, os professores revelaram que como não havia um sistema de armazenamento e tratamento, o chorume era despejado diretamente também nas águas do igarapé. Outra particularidade da área estudada são as variações nos parâmetros analisados em diferentes períodos pluviométricos, que em determinada época do ano provocam diluições acentuadas de seus corpos hídricos.

Aterro sanitário

Aterro Municipal de Manaus, cujas atividades iniciaram em 1986, está localizado à margem direita do igarapé do matrinxã, que juntamente com os igarapés Aracu, Acará e Bolívia formam o sistema hídrico dessa região. A leste e a norte o aterro está situado no vale do igarapé do matrinxã; ao sul por um pequeno tributário desse mesmo igarapé, e a oeste pela rodovia AM-010. Uma pequena porção do terreno, mais próxima à rodovia, é drenada por um braço do igarapé Aracu, afluente do igarapé da Bolívia, ambos localizados na Bacia Hidrográfica do Tarumã.

Órgão fez limpeza de igarapés

Nessa semana, três importantes leitos de igarapés passaram por limpeza com as equipes especializadas da Prefeitura de Manaus. O serviço, coordenado pela Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), reuniu mais de 80 trabalhadores em áreas das zonas Sul e Centro-Oeste.

Os igarapés dos Franceses, no Alvorada, e Mestre Chico, localizado no bairro Praça 14, concentraram cerca de 70 trabalhadores no primeiro turno da atividade.

“A ação consistiu na limpeza do leito e das encostas dos córregos, com capinação e retirada de lixo dos locais. O principal objetivo é desobstruir os canais para que os rios fluam sem interferência e evitar que o lixo seja represado em canais mais estreitos”, explicou Laurimar Costa, diretor de limpeza da Semulsp.

A reportagem do EM TEMPO entrou em contato com a assessoria de imprensa da Semulsp, mas até o fechamento dessa edição não havia obtido respostas sobre a situação da poluição no Aterro Sanitário de Manaus.

 

 

As informações são do portal EM TEMPO

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