Manhosas e agressivas


César Pansera
22/12/2014

A primavera é uma das épocas do ano mais esperadas por pescadores de todo o País, principalmente do Sul e Sudeste. A água dos reservatórios esquenta, e as tilápias, que passaram o inverno praticamente inativas, começam a atacar de forma agressiva e furiosa as iscas artificiais. Selecionamos dicas preciosas para você não perder essa oportunidade, confira os locais com as maiores chances de encontrar tilápias nas represas e os equipamentos mais indicados.

 

ONDE PESCAR

1. Barrancos íngremes com árvores altas sobre a água: são locais onde insetos podem cair diretamente na água, isso funciona como uma ceva natural para os peixes.

2. Pontas de barranco: mais rasas que os barrancos íngremes, costumam concentrar predadores em suas proximidades. Dependendo da direção do vento, diversos tipos de alimento que chegam pela superfície podem parar nesses locais.

3. Locais com pedras: além de servirem como pontos de caça para os predadores, as pedras absorvem o calor do sol e o transferem para a água, que fica mais aquecida nesses locais.

4. Árvores frutíferas: pés de araçá, gavirova, goiaba, pitanga e figo (figuinho), entre outras frutas que os pássaros costumam comer, quando situadas na beira das represas, sempre reúnem tilápias em sua sombra, especialmente na primavera e verão, quando frutificam.

5. Barrancos com cigarras cantando: não ignore o som emitido pelas cigarras. Algumas sempre caem na água, o que atrai as tilápias. Observar a direção do vento também é importante; dependendo de seu sentido, ele poderá levar os insetos para outro barranco.

6. Baixios: em alguns locais, a baixa profundidade permite aos peixes emboscar mais facilmente suas presas, e eles acabam concentrando sua atividade nesses pontos.

7. Capinzais: com a represa cheia, os fundos de grota podem estar repletos de capim. As tilápias costumam frequentar esses locais para se alimentar, não raro projetando-se fora d’água para alcançar as folhas mais altas. Apesar do interesse estar voltado às plantas, algumas capturas com artificiais também podem acontecer nesses pontos.

 

ISCAS E TRABALHOS

1. Cigarras artificiais
Como são: fáceis de reconhecer, estas iscas possuem barbelas côncavas, abauladas, em forma de colher.
Forma de trabalho: recolha de forma contínua e lenta, fazendo-as se moverem de um lado para o outro. Toques sutis de ponta de vara podem ser efetuados, desde que a ponta da vara fique voltada para cima. A isca virá batendo sua barbela na água e produzirá um barulho característico na superfície. Durante o recolhimento, pare a isca de vez em quando e espere alguns segundos. Muitos ataques acontecem quando o plug está imóvel, alguns tão violentos que levantam água.
Quando usar: quando as cigarras cantam, e, de preferência, quando há pouco ou nenhum vento

2. Iscas de hélice
Como são: estes pequenos plugs têm, em geral, formato cilíndrico e curto, com até sete centímetros (sendo ideais as de cinco centímetros), e uma única hélice traseira.
Forma de trabalho: também neste caso, o trabalho é lento. Recolha o plug com velocidade suficiente apenas para apenas fazer a hélice girar, intercalando o recolhimento com curtas paradas. Se preferir, dê toques mais fortes de ponta de vara, para que isca faça mais barulho na superfície.
Quando usar: elas são excelentes quando há vento. Sua hidrodinâmica é perfeita em tais condições, e as leves marolas formadas pelo vento ajudam a camuflar a isca. Lembre-se que, quando venta, a possibilidade de caírem insetos na água é maior. Os peixes costumam caçar nesses momentos e os ataques são certeiros, tornando a pesca na superfície bastante produtiva.

3. Spinners
Como são: iscas metálicas, elas são basicamente compostas por uma colher que gira em torno de um arame, e esse funciona como eixo central. Os spinners estão entre as iscas mais versáteis para uso na meia-água, seja em locais com correnteza ou água parada.
Forma de trabalho: recolhimento constante. Alterne a velocidade para saber como o peixe prefere atacar e para variar a profundidade de ação da isca. Às vezes, a tilápia persegue a isca durante um bom tempo antes de atacá-la. Nessa hora, caso você veja o peixe perseguindo a isca, não pare de recolher, ou você poderá “matar” o trabalho da isca e espantá-la. Tenha, na caixa, uma boa variedade de pesos de spinners. Há dias em que poucos gramas podem fazer grande diferença.
Quando usar: são iscas ideais para serem utilizadas durante entradas de frentes frias, quando a temperatura cai e o peixe afunda um pouco. Além disso, têm maiores chances de capturar tilápias nilóticas, cujo ataque pode acontecer em defesa de sua ninhada, quando a isca passa em meio ao cardume de filhotes.

4. Plugs de meia-água
Como são: pequenas iscas de barbela que imitam peixinhos e insetos, de até cinco centímetros. Elas podem ter ação flutuante (floating) ou afundarem (sinking).
Forma de trabalho: recolhimento intercalado com algumas paradas, ou contínuo. Caso opte por um modelo sinking, não deixe a isca afundar muito, para que não enrosque.
– Quando usar: assim como os spinners, são boas opções quando chegam as frentes frias.

 

Mais algumas dicas para você aproveitar a primavera em grande estilo e com muitas tilápias na linha

 

– Em alguns modelos de iscas de superfície, substitua as argolas originais por outras menores. O mesmo vale para as garateias; opte pelas mais leves, finas e escuras. Assim, a isca flutua mais rápido e age de forma mais natural.
– Insira esferas metálicas dentro das iscas de superfície ocas para que produzam mais barulho e atraiam mais peixes.

– Nas iscas com barbela côncava, o uso de snaps pode prejudicar a flutuação da parte frontal do plug. Uma alternativa é trocar o snap por uma pequena argola e amarrar a linha nela, ou então, atar a linha diretamente ao pitão usando o nó Mirrolure (Mirrolure Knot, veja ilustração), deixando que o plug nade de mais livremente.

– Caso os peixes apenas “batam” nos spinners e não entrem, pode-se encurtar um pouco as penas atadas na garateia, cortando-as com uma tesoura. Isso fará com que as tilápias abocanhem melhor a isca.

– Para iscas que trabalham girando, como spinners e plugs de hélice, é indispensável o uso de snap com girador. O ideal é que ele não seja muito grande, para que não altere o trabalho e a flutuação das iscas, principalmente as de superfície.

– Escurecer os plugs com canetas de retroprojetor é uma alternativa para tornar sua cor mais próxima à das cigarras. Você pode pintar as iscas total ou parcialmente, escurecendo, por exemplo, somente sua parte inferior ou algumas áreas.

 

Equipamento recomendado

Varas: entre 5’6” e 6 pés, classe 10-20 e 10-25 lb, de ação média.

Carretilhas: de perfil baixo, que comportem 145 m de linha 0,30 mm.

Linhas: de monofilamento, entre 0,18 mm e 0,35 mm, de preferência transparentes. Caso prefira uma linha colorida, faça um líder transparente com o mesmo diâmetro da linha utilizada, e um pouco menor que o comprimento da vara, sem deixar que o nó entre no carretel do molinete ou carretilha. Fique atento, exemplares maiores possuem pequenos dentes serrilhados na mandíbula capazes de desgastar e arrebentar a linha.

 

 

 

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