Limitação à pesca do dourado é discutida na Assembleia Legislativa de MS


Da Redação PESCA ESPORTIVA
16/03/2017

As limitações à pesca do dourado nos rios de Mato Grosso do Sul foi debatida em audiência pública na tarde de ontem, quarta-feira (15), na Assembleia Legislativa do Estado. A proposta, que já tramita na Casa de Leis, vem dividindo opiniões entre pescadores, pesquisadores e representantes de órgãos ambientais.

Segundo a proposta, a proibição da pesca do dourado seguida do transporte do mesmo terá duração de 8 anos, período suficiente para reprodução e aumento da espécie nos rios. A proposta, de acordo com o texto, também não veta a modalidade pesque e solte.

“O objetivo principal é acabar com a pesca predatória e estimular o repovoamento do dourado, que está cada vez mais escasso em nossos rios. É comum hoje pescar apenas um ou dois exemplares. Se não tomarmos uma atitude, a situação vai se agravar e a espécie pode entrar em extinção”, argumenta Beto Pereira, proponente da audiência e autor do projeto de lei.

Em meio ao debate, Beto Pereira relata que a diminuição de dourados nos rios é visível, o que vem prejudicando a renda dos pescadores “Antes era muito mais farto”, frisa, comentando ainda que “os pescadores precisam de 200 kg de pescado por mês, mas por causa da escassez, são obrigados a burlar normas para fazer a pesca em áreas proibidas”.

 

 

Desfavorável ao projeto, o presidente da Federação Estadual de Pecadores Profissionais, Pedro Jovem dos Santos, afirma que tal ação pode gerar um desequilíbrio ecológico. “A proibição pode prejudicar muito os pescadores que dependem da espécie para sobreviver, sem contar o risco de provocar um grande desequilíbrio ambiental, porque o dourado é predador e pode fazer até com que outras espécies diminuam”, conta Jovem, afirmando também que vai tentar articular com outros deputados para que o projeto não siga adiante.

Já o pesquisador da Embrapa, Agostinho Catella, defende a criação de um plano de gestão, adaptativo e compartilhado, e que defina objetivos claros para a pesca do dourado. “compartilhado por considerar os diferentes atores, no caso os pescadores, e adaptativo conforme as particularidades de cada bacia e sub-bacia”.

Agostinho também acredita que uma lei com tal grau de importância e complexidade exige um debate mais amplo e embasado em mais pesquisas. “Uma decisão equivocada pode provocar prejuízos aos pescadores”, comenta.

Outro pesquisador que participou do evento e que tem opinião similar, foi José Sabino, biólogo da Uniderp. “Antes de tomar uma decisão, é preciso ter qualidade na informação. Já se tem pesquisas que a proibição da pesca foi responsável pelo aumento de uma espécie, mas essa prática tem que ser contextualizada com a região. Mais que proibir, é importante investir no plano de manejo”

Porém, há opiniões também favoráveis ao projeto. Uma delas é do produtor rural e praticante do pesque e solte, Paulo Okishima, de 52 anos. “Sou a favor porque percebo essa escassez de dourado nos rios. Permitir o pesque e solte é o mais sensato. Acredito os pescadores é que são os verdadeiros agentes predatórios do peixe”, comenta.

Atualmente já existem leis que proíbem a pesca do dourado no Paraná, Mato Grosso e Goiás, e em países como a Argentina. No Estado, os municípios de Aquidauana e Corumbá já possuem legislações próprias coibindo a pesca da espécie.

 

 

Com informações do portal Campo Grande News

Fotos: Arquivo/Roberto Conti/Bíblia do Pescador e Divulgação

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