Lambari, um peixão


Julio Hosoiri
22/12/2014

Numeroso, esperto e ainda saboroso, ele dá um tapa na monotonia e enche a pescaria de boas fisgadas

 

Piaba, matupiri, tambiú… São muitas as denominações e espécies que fazem referência ao lambari, um dos mais populares e queridos personagens de nossos rios, lagos e represas. O peixinho que é o primeiro na vida de muitos pescadores dificilmente ultrapassa 20 centímetros e 50 gramas – mas o fator tamanho pouco importa para seus admiradores.

Prolífico, astuto e valente, ele é um voraz predador de ovos, larvas e até alevinos, motivo pelo qual é usado em muitas fazendas de piscicultura e pesque-pagues como agente natural para o controle populacional de outros peixes.

Considerado uma praga no passado, hoje o lambari é reconhecido como uma ótima fonte de divertimento para adultos e crianças e conta com tanques exclusivos em uma série de pesqueiros.

Além de tudo, pode ser um delicioso petisco para ser saboreado depois da pescaria. Para se dar bem, confira os materiais e as dicas essenciais para encher o samburá.

Equipamentos
> vara lisa: telescópicas com mais de três metros de comprimento, com linha de monofilamento de 0,20 mm, boia modelo “lambari” nos tamanhos 0, 1 ou 2 e pequenos anzóis do tipo “mosquitinho”, que podem ser o Cristal nº 14 ou Maruseigo nº 6. Chumbadinhas minúsculas ou mesmo giradores podem ser usados com a finalidade de esticar a linha entre a boia e o anzol. Quando um cardume é encontrado, as ações são tantas que dispensam o suporte de varas. A variedade de iscas é grande – massas, bigatos, larvas de cupim, miçangas, macarrõezinhos, sagu, arroz cozido sem tempero, minhocas e até sabikis.

> arremesso:deve ser o mais leve possível. Varas com comprimento entre 5 e 6 pés, equipadas com molinetes ou spincasts de categoria ultra-light preenchidos com linha de 4 a 8 libras, compõem excelentes conjuntos e são capazes de arremessar a mesma boia usada com vara lisa. Além do sabiki, minúsculos spinners e spin-n-glo’s (varejeiras) também podem provocar ataques.

Onde pescar
Concentre seus esforços próximo às nascentes ou quedas d’água, onde há boa oxigenação e a temperatura da água costuma ser mais fria. Pontos protegidos por vegetação e outras estruturas também podem concentrar cardumes. E, entre os “retões” e as curvas dos tanques, fique com a segunda opção. Cevar o local escolhido com ração, migalhas de pão, fubá ou farinha é uma boa medida.

Conheça o sabiki
O artefato tradicionalmente usado na água salgada para a captura de iscas vivas foi adaptado para a água doce, com modelos especialmente produzidos para a pesca de lambaris.

Ele é formado por um chicote percorrido por várias pernadas curtas de anzóis ornados com miçangas, penas, pele de peixe ou outros materiais. À extremidade inferior é atada uma chumbada ou um pequeno cesto que pode ser preenchido com ração ou quirela, para atrair os peixes.

Basta lançar o sabiki na água e, com a linha esticada, deixar que ele afunde até pelo menos o chicote todo ficar imerso. A maioria das capturas ocorre “na caída”, mas os ataques também podem acontecer executando-se lentos movimentos de sobe-e-desce com o conjunto.

+ Dicas

– Além de um maior alcance, varas telescópicas mais longas e equipamentos de arremesso permitem que se fisgue peixes diferentes (e maiores) do que os habituais.
– O uso de boia não é importante apenas para sinalizar a puxada do peixe, mas por deixar a isca suspensa na água. O lambari dificilmente se alimenta rente ao fundo, prefere fazê-lo na superfície ou meia-água.
– O sabiki deve ser evitado por crianças. Seus pequenos e múltiplos anzóis machucam bastante, principalmente se estiverem com farpas.

– O lambari também pode ser usado como isca natural, viva ou morta, para a captura de dourados, peixes de couro e, em alguns locais, até pacu e tambacu.

 

 

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