Instituto de Pesca e Butantan planejam parceria para criação e manejo de zebrafish


Da Redação PESCA ESPORTIVA
31/10/2016

O Instituto de Pesca (IP-Apta), está viabilizando parceria com o Instituto Butantan para desenvolver técnicas de criação e manejo do zebrafish, peixe ornamental também conhecido como paulistinha que pode substituir mamíferos como modelo animal em pesquisas sobre doenças humanas.

De acordo com Cíntia Badaró Pedroso, pesquisadora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Peixes Ornamentais do IP, a parceria ainda prevê a criação de um biotério – local onde se mantém animais vivos destinados à pesquisa científica – nas dependências do Instituto de Pesca em São Paulo. “O Instituto Butantan, desde 2015, já conta com um biotério bem estruturado com capacidade para a manutenção de 6 mil peixes, chamado Plataforma Zebrafish, que é coordenado pela pesquisadora Mônica Lopes-Ferreira. Nossa intenção ao propor a parceria é usar a expertise do IP para desenvolver um protocolo de criação e manejo do Danio rerio (nome científico do zebrafish), mas também estruturar um biotério com capacidade para 2 mil peixes na estrutura da Secretaria de Agricultura”, explica Cíntia.

Para Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento, “a efetivação da parceria está alinhada ao propósito do governador Geraldo Alckmin em ampliar a rede de colaboração dentro dos órgãos de pesquisa estaduais e tem potencial para contribuir com uma demanda latente, gerando soluções para os laboratórios de pesquisa”, diz.

O substituto dos camundongos
A relevância da parceria se encontra dentro dos laboratórios. Hoje, os modelos animais mais empregados em pesquisas no mundo ainda são os roedores, como os camundongos. Mas desde a década de 1980, quando o biólogo norte-americano George Streisinger, da Universidade de Oregon, apresentou o zebrafish como um modelo biológico consolidado, o número de experimentos que utilizam esse peixe cresceu exponencialmente. Hoje ele já é o segundo modelo animal mais utilizado em pesquisas.

“O zebrafish é um organismo de fácil manutenção e reprodução em laboratório. A fecundação e o desenvolvimento do embrião, que é transparente, são externos. Mas, além disso, o seu genoma possui 70% de semelhança com os genes humanos. Todas essas condições o tornam um modelo bastante eficaz e explicam o aumento de seu uso pelos pesquisadores da área da saúde”, esclarece Cíntia.

Outro ponto a favor do zebrafish é que sua idade reprodutiva é alcançada com cerca de 60 a 90 dias e o espaço necessário para sua manutenção é menor do que o necessário para manter os roedores, reduzindo custos e tempo. “O ciclo de vida menor gera uma redução considerável de tempo para as pesquisas. Os ovos viram larvas em até 72 horas e podemos acompanhar todo seu desenvolvimento, já que nessa fase seu corpo é transparente”, conta a pesquisadora do IP.

Antecipando a demanda
O sucesso do zebrafish em pesquisas aumentou a demanda do mercado por peixes que supram as necessidades dos laboratórios. Hoje, a maior parte da procura se concentra em peixes adultos, utilizados em ensaios de toxicidade aguda. Mas os ensaios de curta duração que se valem das larvas recém eclodidas de Danio rerio ainda não são utilizados em larga escala.

De acordo com Cíntia, a tendência mundial e que já ocorre em diversos países da Europa é a substituição do ensaio de toxicidade aguda com adultos do peixe Danio rerio pelo ensaio com embriões dessa espécie, pois é considerado uma metodologia alternativa, que busca reduzir o número de animais utilizados nos experimentos, refinar as técnicas e substituir os testes com animais por métodos alternativos. “Hoje, não existe um biotério de criação de Danio rerio certificado e o mercado está aberto para absorção imediata deste pacote tecnológico”, diz.

O Diretor de Departamento do IP, Luiz Marques da Silva Ayroza, que se reuniu com o Jorge Kalil, diretor técnico do Instituto Butantan, para encaminhar o projeto, acredita que a parceria pode render bons resultados. “O Butantan é uma instituição de pesquisa referência, assim como o IP. Sem dúvida, o trabalho em conjunto, somando as expertises dos dois Institutos será fundamental para o sucesso desse projeto”, conclui.

 

 

Foto: Divulgação/Instituto de Pesca

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