Compactadas a teste


Julio Hosoiri
03/05/2017

Os tabletes já estabeleceram entre os pescadores de carpa-cabeçuda, mas poucos sabem diferenciar o bom do mau produto

 

Faltando um pouco mais de um mês para o fim do outono e às vésperas do inverno, nosso assunto é um tipo de isca que conheci há mais de dois anos, inicialmente chamado de massa compactada, tablete ou pastilha, e que de lá para cá veio recebendo outras denominações. Fato é que são massas diferenciadas para a pesca da carpa-cabeçuda, adquiridas prontas e dispensando o tradicional acréscimo de água antes do uso; no máximo, a aplicação de alguma essência para turbiná-la, a gosto do pescador.

A boa aceitação nas regiões Sul e Sudeste levou a uma natural multiplicação dos fabricantes do produto e dos acessórios relacionados ao seu uso. Alguns pararam no tempo e fornecem a mesma composição desde o início; outros evoluíram, adaptando-se às demandas dos usuários; e um pequeno grupo simplesmente optou pelo caminho mais curto, “melhorando” suas fórmulas com ingredientes e processos no mínimo antiéticos e prejudiciais ao ambiente, aos peixes e àqueles que optam pelo consumo do pescado – por exemplo, aglutinando as massas com cosméticos e colas diversas, quando o correto é prensá-las a seco a alta pressão, entre sete e doze toneladas.

Apresentarei algumas conclusões tiradas a partir de testes que realizei com massas compactadas de diversas marcas. O intuito é ajudar o pescador que se preocupa não só com melhores resultados nas pescarias, mas também em adquirir produtos que respeitem a natureza e sejam condizentes a uma conduta verdadeiramente esportiva.

Matérias-primas – um bom tablete de pesca, seja ele artesanal ou industrial, deve ser confeccionado com produtos alimentícios (massas) de boa qualidade, de forma que os resíduos eventualmente rejeitados pelos peixes se deteriorem a contento.

Consistência – deve ser tal que a pastilha se desfaça na água uniformemente, formando um véu que atraia os peixes, e não aos pedaços. Segundo muitos especialistas em carpa, a duração ideal é de 50 a 90 minutos, tomando como referência uma pastilha de tamanho padrão, com cerca de 5,5 centímetros de comprimento por 4,5 de diâmetro e 80 gramas de peso. Ela não deve se desfazer de forma alguma durante o lançamento, sendo resistente também ao transporte, sem apresentar fissuras.

 

Eficiência e praticidade, dispensando a mistura de água antes do uso, ajudaram a arrebanhar adeptos para o uso da isca

Eficiência e praticidade, dispensando a mistura de água antes do uso, ajudaram a arrebanhar adeptos para o uso da isca

 

 

Aroma – as boas massas compactadas, além da formação da “nuvem” ao seu redor, liberam também diversos aromas à medida que se desfazem. Seu efeito deve durar mais de um arremesso, levando em conta que é comum ter de recolher a isca para verificar seu estado, corrigir um lançamento ou devido a uma fisgada não concretizada.

 

Na aparência, todos os tabletes se parecem, mas sua fabricação e propriedades podem ser totalmente distintos

Na aparência, todos os tabletes se parecem, mas sua fabricação e propriedades podem ser totalmente distintos

 

Quantas levar – no passado, o tempo de esfarelamento desse tipo de isca sofria alterações conforme a temperatura da água (muito rápido no verão e muito lento no inverno), o que não acontece com os tabletes de hoje. Uma quantidade de oito a dez costuma ser suficiente para um dia inteiro de pesca com um conjunto de arremesso.

 

Névoa com resíduos e dispersa demais (esquerda) em contraste com outra bem mais limpa e uniforme. No detalhe, o aspecto das pastilhas depois de 50 minutos

Névoa com resíduos e dispersa demais em contraste com outra bem mais limpa e uniforme. No detalhe, o aspecto das pastilhas depois de 50 minutos


 

Faça o teste

Se você deseja ir além das informações obtidas junto a lojistas e outros pescadores, pode realizar alguns testes simples para verificar a qualidade da massa compactada. Siga os passos:

  1. Verifique a procedência do produto. Caso seja industrializado, confira se a empresa possui registro (CNPJ), as informações dos ingredientes básicos e a data de validade na embalagem. Se o produto for artesanal, vale pesquisar, mesmo que informalmente, seu processo de fabricação e a idoneidade do fabricante.
  2. Como os testes que realizo são comparativos, aconselho a aquisição de produtos de fabricantes distintos, mas com características equivalentes. Utilize dois potes transparentes de tamanho suficiente para armazenar a água e uma pastilha suspensa. Prefiro potes plásticos descartáveis de doces, os considero melhores que garrafas PET cortadas por serem mais largos e permitirem melhor visualização da neblina formada.
  3. Coloque os recipientes lado a lado com o mesmo nível de água, deixando de dois a três centímetros de borda livre. Insira então uma pastilha em cada pote, ao mesmo tempo, de modo que fiquem integralmente suspensas sob a linha d’água. Comece a marcar o tempo para aferir a durabilidade de cada uma, lembrando que em um lago elas se desmancharão um pouco mais rapidamente devido ao movimento da água e das ações dos peixes. Mas no ambiente restrito os detalhes do esfarelamento da isca serão melhor percebidos, como, por exemplo, se ela se desmancha aos pedaços ou em véu, ou se tende a fragmentar-se na direção do anzol principal, que é o que está embaixo. Perceberá também se o produto deixa na água, além do pó e coloração normais, resíduos estranhos, como manchas de óleo ou natas. E o mais importante, poderá verificar se o aroma, que é um forte atrativo, permanece após o esfarelamento completo da massa. Se durar entre uma hora e uma hora e meia, será satisfatório para uso em condições reais.
  4. Reforço, por fim, a utilização de chuveirinhos próprios para pastilhas. Os modelos conhecidos como “paulistas”, com um anzol central e dois ou três laterais, são muito eficientes, sem a necessidade de mais anzóis, pois normalmente as carpas-cabeçudas são capturadas no central, os demais sendo auxiliares. Com uma boa massa compactada, o peixe chegará ao anzol principal, podendo, inclusive, ser o único existente.

 

 

Fotos: Julio Hosoiri/Revista Pesca Esportiva

Compartilhe:

Agenda

Próximos Eventos


@revistapescaesportiva

Twitter

Assine a Revista Pesca Esportiva com 7% de desconto e frete grátis.