Cangulo à beira-mar


Da Redação PESCA ESPORTIVA
15/05/2017

Apesar de mais comum em águas abertas, ele pode aparecer e tornar sua pesca de praia mais divertida e diversificada

Alguns nomes de peixes já fazem parte do vocabulário do pescador de praia. Pampos, betaras, ubaranas, bagres e carapicus, entre muitos outros, estão entre os desafiantes que esticam nossas linhas no dia a dia de nossas pescarias. Há, no entanto, aqueles que só aparecem de vez em quando e, quando o fazem, tornam-se boas surpresas, instigando nossos conhecimentos sobre as espécies marinhas e como pescá-las. É o caso, por exemplo, do galo-de-penacho ou simplesmente galo (Selene vomer). Outro peixe bastante curioso é o cangulo ou porquinho, pra lá de versátil e muito esperto, normalmente encontrado mais afastado de praias e baías e, dependendo da espécie, somente em mar aberto. Entre as mais comuns, pelo menos no litoral do Sudeste, estão Balistes capriscus e Aluterus monoceros. (Foto acima). Reconhecê-los é fácil: seu formato é o de um comprido losango, com o corpo comprimido lateralmente. Apesar da grande cabeça, sua boca é bem pequena. A primeira nadadeira dorsal é composta por três espinhos, o primeiro deles maior e mais forte. Para encontrar comida, espirram jatos d’água no fundo em busca de pequenos vermes e crustáceos, devorando-os rapidamente assim que os descobre. Com a mesma técnica, os cangulos são capazes de virar um ouriço de ponta-cabeça e comê-lo com seus fortes dentes. Têm o hábito de andar em cardumes e sua carne é muito apreciada. Quem nunca provou um petisco de “porquinho” num quiosque à beira-mar?

 

Material recomendado

Varas: com 3,9 a 4,2 m de comprimento, com ação média a lenta (para pequenas e médias e distâncias, de até 50 m) e ação rápida (para distâncias superiores a 50 m).

Molinetes: de médios a grandes (nomenclatura 4 000 a 6 000), com capacidade para pelo menos 300 metros da linha principal. Como esta é em geral muito fina, pode ser feita uma “cama” com uma linha mais grossa para preencher todo o carretel.

Linhas: de náilon, com espessura variando de 0,16 a 0,23 mm, lembrando que linhas mais finas proporcionam maior sensibilidade e melhores fisgadas.

Anzóis: devem ser pequenos, em virtude da boca diminuta do cangulo. Os modelos/tamanhos Maruseigo 10, Koaji 8, Hansure 8 e Akita Kitsune 10 são boas indicações.

Iscas: iscado em pequenos filés, o tradicional camarão é irresistível. Minhocas de praia e tiras bem finas de lula também podem ser usadas com bom aproveitamento.

Chicotes e pernadas: devido ao hábito do peixe de procurar comida junto à areia, as pernadas posicionadas próximas ao fundo são as mais eficientes. Pode-se, por exemplo, usar um chicote tradicional de dois rotores, com distância de 70 cm entre eles, deixando-se a pernada de baixo com 40 cm para que circule livremente no fundo. A de cima é bem mais curta, com 20 cm, para que fique suspensa quando o chicote “deitar”.

 

 

Kamikaze?

Não foram poucas as vezes em que, enquanto eu recolhia um peixe com os pés na água, fui surpreendido por algo se debatendo a meus pés. Em todas as ocasiões, eram cangulos que vieram “surfando” nas ondas até chegarem praticamente à areia. Desorientação? Fuga de algum predador, como mostra a foto de um exemplar com a marca de um ataque? Ainda não encontrei explicação para essas ocorrências, mas é pouco provável que se trate de um comportamento suicida por parte do peixe…

 

 

Por Marcelo Esteves

Compartilhe:

Agenda

Próximos Eventos


@revistapescaesportiva

Twitter

Assine a Revista Pesca Esportiva com 7% de desconto e frete grátis.