As top 10 para os TUCUNAS


César Pansera
24/06/2016

Seu objetivo se chama tucunaré? Então confira os dez modelos de isca artificial que não podem faltar na sua caixa e como trabalhá-los para despertar ataques irresistíveis dos bocudos

Agressividade dos embaixador das águas brasileiras, um dos peixes de água doce mais procurados pelos pescadores esportivos do país, dispensa comentários. Pensando nisso, elegemos dez modelos de isca com desempenho diferenciado para tucunarés, enaltecendo algumas de suas características que poderão irritar ainda mais esse cobiçado predador e ajudá-lo principalmente quando ele não está muito disposto a atacar.

É fato que as diversas espécies de tucunaré de nossas águas estão entre as mais agressivas quando falamos de iscas artificiais, seja pelos verdadeiros estouros que provocam ao investir contra um plug, por seu temperamento ao defender território ou pela força de suas arrancadas. Mesmo com tudo isso a favor dos pescadores que praticam o baitcasting ou pesca de arremesso com iscas artificiais, alguns modelos podem ser considerados imbatíveis principalmente na busca por tucunarés-amarelos e azuis, que habitam uma série de lagos, reservatórios e rios de nosso país.

 

1. Zaras e walking baits

Principais características – Plugs de superfície que desenvolvem a trajetória de “Z” na lâmina d’água ao serem recolhidos e trabalhados. Em sua maioria, ficam inclinados ou quase na vertical quando inertes na superfície. Por serem ocos, possuem esferas em sua interior que, juntamente com seu trabalho, são responsáveis por induzir os tucunarés ao ataque. Alguns modelos possuem barulho diferenciado devido ao material do corpo e das esferas em seu interior. São iscas  que cobrem boa área a cada arremesso, as primeiras a irem para água quando pesco tucunarés.

Trabalho – Com a ponta da vara voltada para baixo, procure executar toque executar toque curtos de ponta de vara intercalados com o recolhimento. Esse trabalho pode ser mais rápido, acelerando o movimento da isca, fazendo com que o “Z” por ela descrito na superfície seja mais curto, o que mais vezes é mortal para os tucunarés. Outra alternativa é fazer a isca guinar para os lados com mais cautela, lentamente. Ideal para momentos em que o peixe está manhoso, rebojando algumas vezes antes de abocanhar pra valer.

Extra: Com o uso ou quantidade de ataques sofridos, iscas de superfície, iscas de superfície metálica podem descascar. Isso não será problema, pois continuarão atraindo tucunarés. Muitas vezes, inclusive, quando mais seu material-base aparece, mais elas ficam atrativas. Daí vem a fama da cor osso o bone, que passou a ser produzida por muitos fabricantes em mais de um modelo.

 

2. Plugs de hélice

Principais características – Iscas dotadas de uma ou duas hélices traseiras, ou uma frontal e outra traseira. Trabalham em trajetória uniforme (reta) na superfície, ocasionando ataques mais certeiros. Podem ser de madeira, com maior poder de flutuação, ou de plástico, mais ricas em detalhes. As plásticas, por serem ocas, recebem mais barulho quando tracionadas.  Também são boas opções para encontrar os peixes e identificar seu comportamento. Gosto de utilizá-las sob ausência de vento ou quando ele está bem fraco.

Trabalho – Execute toques de ponta de vara pausados, fazendo com que a isca se desloque na superfície e sua hélice gire fazendo barulho. A intensidade dos toques fará com que mova mais ou menos água, provocando mais ou menos barulho. Recolher mais rapidamente, quase que de forma contínua e intercalando com toques, também pode ocasionar bons ataques.

Extra: Alterar e trabalhar (entortar levemente) as hélices de alguns plugs pode intensificar sua ação, fazendo com que levantem mais quantidade de água e superfície e provoquem mais ruído.

 

3. Poppers

Principais características – Com grande flutuação, os poppers possuem junto de sua cabeça uma saliência ou espécie de “boquinha” (côncava) que pode estar moldada no próprio corpo da isca ou funcionar como bardela. Geralmente, são plugs ocos que possuem excelente acabamento de pintura. Ideias para condições de pouco ou nenhum de vento, quando conseguem deslocar água mais acentuadamente. Poderosas armas os tucunarés estão manhosos.

Trabalho – Com a ponta da vara para baixo, próxima à linha d’água, realize toque curtos e pausados, deixando a isca flutuar entre um e outro. A força dos toques define se a isca fará maior ou menor quantidade de borbulhas a superfície, provocando mais ou menos barulho.

Extra: Como a maioria dos modelos de poppers são fabricados originalmente para o black bass, a necessidade de substituição das garateias originais por outras mais reforçadas é quase certa. Atente para o tamanho, que deve ser similar ao das originais ou um pouco maior para que não interfiram muito no trabalho da isca, por mais que os poppers tenham bastante ar em seu interior.

 

4. Shallow runners

Principais características – São os plugs de meia-água com barbela curta, que trabalham entre 40 e 60 cm de profundidade. Geralmente flutuantes quando inertes, são fabricados em grande variedade de tamanhos e cores. Ideais para quando os tucunarés estão afundados, geralmente quando venta um pouco mais e o trabalho das iscas de superfície fica comprometida.

Trabalho – Toques curtos intercalados com o recolhimento são a opção mais tradicional. Outra forma é recolher continuamente, alternando a velocidade ao longo do dia até detectar a preferida pelo peixe.

Extra: Versões com ação suspensa inerte (suspending) são boas opções para locais com grande pressão de pesca e dias em que os tucunas estão manhosos. Caso substitua as garateis, tenha cuidado para anular sua ação. Em modelos três garateias, a do meio pode ser retirada, substituindo-se as outras duas por outras um pouco maiores. Isso evita enroscos entre si e interferência na ação de isca. 

 

5. Twitch baits

Principais características – Iscas que atuam abaixo da superfície, mas sem possuírem barbela. Seu desenho favorece o trabalho errático e mais acelerado na coluna d’água, mortal para os tucunarés. Quando inerdes, costumam afundar lentamente (possuem corpo mais fino) ou voltar para a superfície (corpo velho volumoso). Podem ser confeccionadas em madeira ou plástico, em ambos os casos recebendo excelente acabamento. São iscas de cobertura, ideais para serem arremessadas logo após o rebojo de um peixe que não acertou em cheio uma isca de superfície.

Trabalho – Toques curtos de ponta de vara intercalados com o recolhimento. Fazer a isca “zarar” na meia-água, trabalhando-a de forma errática, é uma característica do trabalho das twitch baits de corpo mais fino. Esse tipo de trabalho e infalível. Procure alternar a velocidade dos toques e recolhimento até encontrar um padrão atraente aos peixes. Isso pode variar de acordo com o dia. 

Extra: Novamente, atente para a troca de garateias quando necessário. Substitua-as por modelos mais reforçados, mas sem comprometer a ação de isca. Pode ser necessário testar tamanhos diferentes até obter um perfeito equilíbrio do plug na coluna d’água.

 

6. Deep runners

Principais características: – Conhecidas também como iscas de barbela longa, podem flutuar (ação floating) ou afundar lentamente (ação sinking) quando inertes. O comprimento da barbela define a profundidade máxima que irão atingir. Em sua maioria são os de plástico, com acabamento bastante realista e esferas em seu interior.

Trabalho – Você pode recolher a isca continuamente, fazendo com que atinja sua profundidade limite, ou intercalar o recolhimento com toques curtos de ponta de vara, deixando-a subir um pouco rumo à superfície se o modelo for floating. Alterne a velocidade até encontrar a forma ideal para as capturas.

Extra: Ao pescar em locais com muitas estruturas, mantenha a garateia transeira original. Ela geralmente é mais fraca e, caso enrosque, é mais fácil fazer com que abra, livrando  a isca de estrutura. O anzol da frente é, de certa forma, protegendo pelo corpo de plug e irá encostar menos. É preciso ter em mente que será necessário trabalhar com a fricção da carretilha mais aberta se um tucunaré maior for fisgado, para não perder o exemplar.

 

7. Rattlings

Principais características: Plugs que atuam no fundo com desenho característico, que lembra a forma de um losango. Um de seus maiores diferenciais é um barulho que produzem graças às várias esferas em seu interior. Esse som chega a ser intenso que pode ser ouvido pelo pescador quando a isca está se aproximando do barco  e é trabalhada de forma mais forte. Boa opção para cobrir rebojos, para reduzir indivíduos que acompanham um peixe fisgado ou para situações em que os peixes estão afundados (por exemplo, quando venta muito).

Trabalho – As rattlings podem ser recolhidas continuamente ou o pescador pode intercalar seu recolhimento com toques de ponta de vara. Por normalmente possuírem ação sinking, quando mais as deixando afundar, mais embaixo atuarão. Existem também modelos de rattling com ação suspensa (suspending).

Extra: Você pode retirar o splitring (argola) originalmente preso à isca. O snap cumprirá a função de dar mobilidade à isca e, se for resistente, segurará sem problema um tucunaré de maior tamanho.

 

8. Jigs

Principais características – Também conhecidas por penachos, “xuxinhas” ou “butucas”, são constituídos por cabeças (jig heads) geralmente de chumbo nas quais são amarradas cerdas, que podem ser naturais (bucktail ou pelo rabo de cervo) ou sintéticas. Os de bucktail possuem movimento mais natural na coluna d’agua, os sintéticos nem tanto. Ambos pegam bem e são excelentes para serem arremessados sobre rebojos não concretizados em ataques ou quando os peixes estão afundados.

Trabalho – Os penachos podem ser trabalhados à meia-água, intercalando o recolhimento com toques curtos ou deixando-os afundar até o leito para somente então realizar o toque, fazendo a isca saltar no fundo. Lembre-se, na segunda forma uma estrutura pode ser encontrada pelo caminho, resultando o enrosco. E ao arremessar o penacho logo após o rebojo de um tucunaré, fique atento à descida da isca, momento em que muitos ataques ocorrem.

Extra: Você pode utilizar um snap (grampo) junto ao penacho para conferir maior mobilidade ao jig. Apenas atente para a qualidade do snap, que deve ser reforçado.

 

9. Colheres

Principais características: As tradicionais são feitas em metal, geralmente na tonalidade prata (silver) ou dourada (gold). Recentemente, foram lançadas no mercado colheres que possuem cavidade oca junto de seu corpo, no qual é colocada uma esfera para que gerem barulho ao trabalhar. Tais modelos recebem pinturas das mais variadas em sua superfície. Outro detalhe importante das colheres é que a maioria possui dispositivo antienrosco. Este pode ser simples ou duplo, de metal ou plástico. Ambos evitam que a isca venha e engatar em demasia quando passa por estruturas, e se desarmam ou abaixam automaticamente quando o peixe ataca a isca.

Trabalho – Recolha continuamente, alterando a velocidade a cada arremesso ou, ao recolher, intercale com toques curtos, fazendo a isca trabalhar de forma errática na coluna d’água. Excelente opção de cobertura, para ser arremessada no rebojo de uma isca de superfície.

Extra: Para dar bilho e vida nova às colheres metálicas, lave-as com pasta de dente e escova. Uma forma de turbinar a isca é colar adesivos holográficos e coloridos em sua superfície.

 

 

10.Shads.

Principais características – Reproduzem quase com perfeição o nado do peixinho. Alguns modelos possuem grandes riqueza de detalhes e são elaborados em material em macio. Obviamente, são menos resistentes que plugs de madeira ou plástico, mas ganham com realismo, sendo excelentes opções para quando os tucunarés estão manhosos. Apenas evite utilizá-los em pontos de grande ocorrência de piranhas, que não darão chances para os tucunarés.

Trabalho – Recolha continuamente no meio da coluna d’água ou deixe afundar um pouco mais e intercale o recolhimento com toques curtos. Também são boas iscas de coberturas e o ideal é que sejam arremessadas logo após o rebojo de um tucunaré que não finalizou o ataque na superfície.

Extra: Use o shad em jigs heads ou anzóis do tipo wide gap, com ou sem peso junto de sua haste. Se optar por anzóis wide gap, prefira shads mais finos e longilíneos, que facilitarão as fisgadas.

E as outras?

É certo que muitas outras iscas funcionarão para provocar a ira do tucunaré. Entre elas estão jumpings jigs, imitações de sapos e shads de silicone, rubber jigs, sticks e spinnerbaits, entre outras. Outro detalhe que merece ser relembrado é a troca de garateias e anzóis originais por outros mais resistentes, substituição essa que deve ser feita quando necessário, porém, sem anular a ação da isca. Com essa seleção a bordo da caixa de pesca, você estará preparado para as várias situações que encontrará pela frente. Bons tucunarés.

 

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