Jum Tabata
21/01/2015

Sobre o destino

Riquíssima e muy piscosa

O município de Esquina, na Argentina, é sinônimo de pescaria farta de espécies cada vez mais raras do lado brasileiro dessa mesma bacia

 

A cidade de Esquina está localizada ao sul de Corrientes, a cerca de 650 quilômetros de Buenos Aires, a capital argentina. Com sua localização estratégica, é um dos destinos mais procurados para a pesca do dourado. O delta que se forma em frente à cidade com o encontro das águas dos rios Paraná e Corrientes oferece aos visitantes paisagens de encantar os olhos. Conhecida como “Pantanal Argentino”, por lembrar o ecossistema do Centro-Oeste brasileiro, a região tem como os grandes atrativos, os enormes dourados que podem ultrapassar os 20 quilos, e os surubís pintados (foto à direita), com exemplares acima dos 50 quilos. Piaparas e piracanjubas também têm presença garantida. Porém, a “menina dos olhos” da cidade é o pacu, espécie que ganhou até um torneio próprio. No mês de março, Esquina recebe pescadores de toda a Argentina e até de países vizinhos para a “Festa Nacional do Pacu” (foto acima), que faz parte do calendário nacional de turismo. Depois de explorar o rio Paraná e toda a região do delta, há ainda a excelente opção de pescar no rio Corrientes, famoso por já ter sido a casa do recorde mundial do dourado. Esse rio nasce na região de Esteros del Iberá, e com suas águas límpidas e cenário deslumbrante, é uma excelente opção para a pesca com fly, praticada inclusive das barrancas do rio, que têm quase a mesma altura de seu leito.

 

El tigrón de Corrientes
Situada ao norte da Argentina, a província de Corrientes abrange cerca de 750 quilômetros de costa nos rios Paraná, Uruguai e Corrientes. Suas características nos permitem afirmar com segurança: se no mundo existe um paraíso para pescadores de dourado, esse com certeza é um sério candidato. O rei do rio, carinhosamente chamado de “el tigrón” pelos argentinos, é o grande responsável por atrair pescadores de todas as partes do mundo para a região. As primeiras chuvas no início da primavera são os sinais da natureza para o inicio da migração dos dourados, espécie que necessita percorrer cerca de 300 quilômetros para que ocorra a desova e a fecundação. Esse é também o sinal aguardado pelos pescadores partirem em busca de novas e fortes emoções, e quem sabe de um novo recorde.

 

Diversidade e surpresas
Para quem decide se aventurar por suas águas, Esquina amplia bastante o leque de oportunidades. No rio Paraná, as modalidades de pesca mais praticadas na captura do dourado são a de rodada com iscas vivas e a fundeada, ou seja, com o barco ancorado. Para os surubins, além da pesca de rodada com isca viva, o corrico com iscas artificiais de fundo (principalmente no inverno) proporciona boas batalhas com os grandes exemplares. A piapara é mais uma fonte de prazer, com exemplares acima dos cinco quilos, pode ser pescada com iscas de milho e pequenos pedaços de tuvira.
E se o dourado é o rei do rio, o título de rainha seria bem apropriado para a piracanjuba, um peixe desconhecido por boa parte da nova geração de pescadores, pois trata-se de uma espécie em vias de extinção, em nosso país. O pacu também costuma deixar o turista com água na boca e as emoções nas alturas, exemplares de até 10 quilos são moradores dessa região.

 

Dicas de viagem

Melhor época: de março a maio e nos meses de outubro e novembro. Fuja do inverno, que por lá é muito frio. A pesca é fechada entre os dias 10 de novembro e 1 de janeiro
Limites de captura: zero para dourados, e um exemplar das outras espécies por pescador

O que usar
Varas: de ação rápida, com cerca de dois metros, classe 25 ou 30 libras

Linhas: de multifilamento, entre 0,30 e 0,35 mm

Carretilhas ou molinetes: com boa fricção e capacidade para 100 a 150 metros de linha.

Iscas artificiais: para pesca de arremesso, plugs de meia-água e superfície entre 10 e 20 cm; para corrico, plugs de barbela longa específicos para essa pescaria (facilmente adquiridos no local)

Iscas naturais: desde as tuviras para a pesca de dourados e peixes de couro até milho, minhoca e outras para piaparas, pacus e piracanjubas, são conseguidas nas pousadas de pesca

Fly: equipamentos de número 9 a 12, embora preferido pela maioria seja o 10. Leve streamers grandes de várias cores, e não se esqueça de um curto empate de aço na ponta do líder

Anzóis: modelo Maruseigo nos tamanhos 1, 1/0 e 2/0 para piaparas, pacus e piracanjubas; J-hooks ou anzóis circulares nos tamanhos 5/0 a 8/0 para dourados e peixes de couro

Dica: na cidade, há várias casas de material de pesca que vendem o equipamento apropriado para a região a custos similares aos do Brasil. Com a ajuda do guia contratado, você poderá comprar o que realmente precisa sem gastos desnecessários ou o risco de comprar equipamentos errados.

Como chegar
O primeiro passo é chegar até Buenos Aires, diversas companhias aéreas mantêm vôos regulares para o local. Depois, para percorrer o trecho de 670 quilômetros entre a capital argentina e Esquina, há duas opções. O trajeto pode ser feito de avião (comercial ou fretado) até Goya, e o restante percorrido por terra (pouco mais de 100 quilômetros). Ou, ir de ônibus leito, ao custo de 98 pesos. O horário do final da noite permite fazer a viagem dormindo e acordar no destino ao alvorecer. Essa é, inclusive, a opção escolhida pelas agências norte-americanas de pesca, que vendem muitos pacotes para esse destino.
Empresas e horários de saída:

Silvia
Tel.: 00-54-11-4312-4110

Flecha Bus
Tel.: 00-54-11-4000-5200
www.flechabus.com.ar

 

Serviço

Onde ficar
São várias as opções de hospedagem. Desconfie de pousadas de pesca com grande diferença em relação ao preço médio cobrado no restante da cidade. O barato pode sair caro – elevados gastos com combustível, almoços servidos em quantidades mínimas e vários itens com cobrança feita à parte, por exemplo.

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