A escolha da vara perfeita para a sua pescaria


Alexandre Matsunaga
05/09/2016

Comprimento, resistência e ação. Saiba como avaliar exatamente cada um destes fatores na hora de investir na compra de sua próxima vara de pesca

É fato, nunca tivemos uma oferta tão grande de equipamentos para a prática do nosso esporte. Se por um lado isso proporciona mais e melhores produtos para uso nas mais diversas modalidades – e a um custo médio mais acessível! – por outro, corre-se maior risco de se fazer escolhas desacertadas para utilizações específicas, tantas são as opções. E as varas estão entre os componentes da tralha com maior potencial para causar dúvidas e confusões.

O intercâmbio e mesmo a migração entre diferentes técnicas, para diferentes peixes, fazem parte da evolução técnica do pescador esportivo brasileiro. O conceito finesse, por exemplo, não se aplica somente ao black bass, mas também a pescarias de robalos, tucunarés e mesmo em pesque e pagues; os metal jigs vêm ganhando, a cada dia, mais espaço na água doce, e assim por diante. Mas será que aquela vara usada com sucesso na pesca costeira de robalos com jigs é a ideal para tucunarés em represas?

Dentre os muitos fatores que influenciam na escolha do caniço que você usará em sua pescaria, podem ser citados marca, estética, qualidade dos componentes e preço. Antes de partir para essa análise, porém, é importante pensar em três aspectos fundamentais – comprimento, resistência e ação – que orientarão os demais passos em busca da vara ideal para suas necessidades.

 

  1. COMPRIMENTO

Quanto mais longa a vara, maior sua capacidade de arremessar a grandes distâncias. Inversamente, as mais curtas perdem em distância, mas, por outro lado, ganham em precisão. Confira outras variáveis e situações que tornam o comprimento um fator relevante em sua escolha.

Distanciamento: afastar a isca do pescador pode ser útil mesmo em pescarias que não exigem arremessos, como a de tilápias no barranco ou de rodada (caceio) atrás de robalos.

Amplitude: deve-se ter em mente que o comprimento influenciará a amplitude dos movimentos da ponta de vara. Ou seja, quanto mais longa, maior será seu efeito sobre o trabalho de uma isca artificial ou a execução de uma fisgada.

Na briga: uma das funções da vara é amortecer a pressão que o peixe exerce ao puxar a linha, cansando-o mais rapidamente. Quanto mais longa ela for, maior será sua capacidade de absorção da pressão e de controle sobre o peixe, permitindo “manobrá-lo” e, muitas vezes, evitar sua corrida rumo a uma estrutura que permita sua fuga. Lembre-se, porém, que a vara tem igual capacidade de cansar as mãos do pescador durante uma briga longa, em função do efeito de alavanca – neste caso, modelos mais curtos causarão menos desgastes.

Comprimento do cabo: é outro fator de grande importância na escolha da vara. Cabos curtos são normalmente utilizados para pesca leve, facilitando o manuseio e diminuindo o peso do conjunto. No entanto, os mais longos são de extrema importância para arremessos com as duas mãos, ou até mesmo para obter precisão em alguns tipos de arremesso, como no caso do flip cast, em que a ponta da vara é voltada para baixo e ela é “carregada” através de um movimento que faz o cabo bater no antebraço do pescador. E para segurar a corrida de grandes peixes, o cabo serve para apoiar a vara em alguma outra parte do corpo, aliviando a pressão que ficaria somente sobre as mãos.

  1. RESISTÊNCIA

Nas varas de pesca produzidas atualmente, existem duas informações que devem ser observadas ao efetuar-se a escolha com base na resistência: classe de linhas recomendadas (“libragem”) e peso das iscas que podem ser arremessadas ou trabalhadas com a vara (ou casting). Analisemos cada uma delas um pouco mais a fundo.

“Libragem”: consideremos uma vara para linhas de 10 a 17 libras. É importante lembrar que isso não quer dizer que ela suporta 17 libras de tração, mas sim, que é recomendada para linhas nessa faixa. Linhas com menos de dez libras poderiam se romper com facilidade no arremesso, assim como um monofilamento com mais de 20 libras provavelmente o dificultaria. A notação foi criada com base na resistência das linhas de “mono”, mas acabou se estendendo aos cada vez mais usados multifilamentos, muitas vezes consideravelmente mais fortes que a indicação – como 20 a 30 libras, no exemplo em questão. Atualmente, no mercado japonês, já é possível encontrar duas indicações de libragem diferentes em uma mesma vara, uma para mono, outra para multi.

Casting: para que a vara tenha potência suficiente para lançar a isca de forma correta, é necessário que esta tenha um peso mínimo para “carregar” o blank no momento do arremesso. No outro extremo, há um limite para evitar quebras do material por sobrecarga. O casting é composto por esses dois valores – mínimo e máximo – e deve ser respeitado para uma boa performance e para evitar desagradáveis perdas de material. Nas varas para vertical jigging, técnica em que pouco se usa o arremesso, a faixa de peso especificada serve para que a vara a trabalhe corretamente no movimento de subida.

 

  1. AÇÃO

Podemos classificar as varas como lentas, moderadas, rápidas ou extrarrápidas de acordo com a porção, a partir da ponteira, que enverga submetida a alguma pressão. Mas em que momentos ter uma vara mais lenta ou mais rápida faz a diferença? Vejamos.

No arremesso: quanto mais rápida a vara, menor a porção do blank que tende a envergar. E quanto mais lenta, mais fácil será “carregá-la” para a execução do arremesso. Como uma maior porção da fibra é envergada nesse processo, o tempo para que o movimento se complete é mais longo, facilitando o acerto do timing para que o pescador libere a isca para o arremesso.

Na apresentação: a ação da vara também age diretamente na apresentação da isca quando esta atinge a superfície da água. Varas lentas ou moderadas são capazes de suavizar a queda da isca quando comparadas às rápidas ou ultrarrápidas.

No trabalho: quando queremos trabalhos mais agressivos de iscas artificiais, como no caso de sticks rápidos e hélices, trabalhos erráticos ou quando a sensibilidade é essencial, a escolha deve ser por varas mais rápidas. Já modelos com ação moderada ou lenta são capazes de produzir trabalhos de isca mais naturais e suaves, sendo muito utilizadas para twitch-baits, iscas de meia-água e jumping jigs.

Na fisgada: em algumas técnicas, como na utilização de crankbaits, ou nas que empregam iscas soft no fundo para peixes como o black bass e o robalo, a flexibilidade tem papel importante nas capturas. Varas mais flexíveis oferecem menor resistência ao peixe quando ele abocanha a isca, permitindo que ele a acomode melhor na boca sem cuspi-la de imediato, dando tempo para o pescador fisgá-lo com mais eficiência.

 

 

Fotos: Arquivo/Revista Pesca Esportiva

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